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12 janeiro, 2019

Os caminhos sutis e tortuosos de um relacionamento abusivo


Olá meus queridxs leitores! Tudo bem? Hoje estou aqui para dar continuidade ao nosso bate-papo sobre relacionamentos abusivos. No texto anterior, eu abordei sobre sinais precoces deste tipo de relação. Porém, para muitas pessoas mergulhadas neste tipo de relação, identificar pode ser a parte mais complexa dada a sutileza que um relacionamento com estas características adota.

Além dos sinais precoces pontuados na nossa conversa anterior, em alguns relacionamentos, a pessoa abusadora adota um padrão tal sutil e velado de abuso que, muitas vezes, o alvo acredita que está exagerando ou fantasiando. Como isto acontece? Bom, os abusadores nem sempre são violentos, rudes ou externalizam outros comportamentos que afastem as outras pessoas. Muito pela contrário.

Ele pode ser uma pessoa amorosa, divertida, calorosa, envolvente, um bom pai, um bom amigo, mas…não se engane que, por trás desta máscara, há alguém com intenção de te dominar e controlar e para isso, é capaz de lançar de subterfúgios sutis e rasteiros. De que maneira? 

O abusador utiliza todo tipo de recurso e, inclusive, tem a capacidade de usar da simpatia, o carisma, o humor, a sedução e uma suposta bondade para te controlar e te dominar.



Veja que são táticas tão sutis, mas, ao mesmo tempo, eficazes para o abusador. E, por estas características, isto pode te deixar confusa porque você sente algo errado, porém, não consegue agregar elementos palpáveis para concretizar e apontar o comportamento abusivo em si. Além disso, é bom alertar que um potencial parceiro abusador não vai começa o relacionamento com comentários críticos, deboche, desqualificação ou algo do tipo. O progresso é gradual.

No entanto, com o passar do tempo, você percebe que ele te critica e faz comentários humilhantes e degradantes na frente dos seus conhecidos e familiares ou em circunstâncias inapropriadas. Você começa a ficar insegura com os aspectos criticados por ele tais como carreira, filhos, estudos, amor por si ou outro ponto que seja importante na sua vida.

Depois, o que não é incomum, ele pode “ te deixar na mão” quando você está doente ou tem alguma necessidade específica que precisa do apoio, carinho e atenção. Ou então você se sente em um tribunal em que precisa se explicar o tempo todo, por qualquer coisa e sob qualquer argumento. Eis situações típicas de um relacionamento abusivo.



Só que, apesar de tudo isso, em outros momentos, ele é exatamente a pessoa por quem se envolveu. E você se agarra a estas características positivas como se fosse uma tábua de salvação e com isso, não se atém aos sinais sutis e cíclicos do comportamento, arranja todo tipo de justificativa para o comportamento dele, racionaliza, ou até mesmo, pensa que ele tem razão e você é que está errada.

E esta forma de bater e assoprar te deixa confusa e atordoada e isto é muito eficaz para a pessoa abusiva. Porque é justamente este padrão de agir que faz com que ele te controle e domine, pois, você não saberá quem é realmente o seu parceiro, gastará energias na tentativa de agradá-lo ou de encontrar formas para manter o relacionamento dentro de um clima harmonioso e, quem sabe, realizará mudanças significativas na sua vida e em si ao longo do tempo com esta intenção. Enfim, todos estes movimentos terminam por deixá-la enredada no controle e domínio da pessoa abusiva.

Enfim, esta foi a prosa da semana e espero ter suscitado reflexões e ajudando a quem precisa. Caso você conheça alguém que precise deste breve texto, compartilhe ;)

Abraços e até a próxima!




Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista e Mestre em Psicologia (UFS)
Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista e Mestre em Psicologia (UFS)
Celular:  79 999192385
email:  psimulti@gmail.com
site:  www.eporelas.com.br
endereço:  Praça Tobias Barreto 510 Centro Médico Odontológico Sala 1210



04 janeiro, 2019

Sinais precoces de um relacionamento abusivo: eles existem?


Olá meus carxs leitorxs deste blog! Quanto tempo! Estava sumida devido a compromissos assumidos durante mestrado ao longo de 2017 e 2018 e, com o fim desta etapa, retomo o nosso bate-papo sobre relacionamentos abusivos, machismo e tudo o mais que povoa esta realidade tão corriqueira.

Por isso, peço licença para adentrar em seu espaço virtual e te convidar para o assunto em pauta que é: há possibilidade de identificar sinais precoces de um provável abusador(a) antes de iniciar um relacionamento, digamos, mais sério? Trago a palavra abusador neste texto para se referir a pessoas que são abusivas em seus relacionamentos de qualquer natureza. Mas foco neste texto serão os relacionamentos amorosos.

Pois bem. É possível sim.




 Mas, antes de trazer esta lista de forma resumida, traçarei alguns comportamentos e atitudes que nos dão o sinal de alerta para um abusador à vista. O primeiro sinal de alerta se refere, neste caso, a homens que defendem e adotam posturas estereotipadas e arraigadas sobre papéis femininos e masculinos. São aqueles que costumam traduzir e defender a relação entre homens e mulheres dentro de um padrão assimétrico, de concentração de poder das decisões dentro do relacionamento nas mãos masculinas e com isso, de submissão feminina às determinações do homem. São os famosos “machões de plantão”.

Trago este exemplo entre homem e mulher, mas o quadro pode ser aplicado para relacionamentos homoafetivos em que um dos pares propõe uma interação autoritária e de imposição de um papel submisso ao outro par. Além destas questões, também cabe ficar de “antenas ligadxs” para as piadinhas e comentários depreciativos acerca da mulher, de uma maneira geral.  Estes tipos de comportamentos e atitudes sinalizam que, em um futuro não muito distante, ele poderá te machucar seja física, seja psicologicamente por diferentes motivos pelo simples fato dele não te considerar como um ser humano em um patamar de igualdade, consideração e respeito.

Outro sinal para ficar de olhos bem abertos é para pessoas que não assumem a responsabilidade pelas suas ações. Compreendem ao tipo que sempre adota o papel de vítima nas situações, a culpa do que acontece na vida dele (dela) é do outro e deste modo, não assume a sua parte ou parcela de responsabilidade das ações ou decisões que realizam na sua vida. Bom, e qual é o perigo deste perfil? Muito bem. Provavelmente, em uma relação amorosa, a culpa por qualquer ocorrência negativa será sempre delegado ao outro. E, neste interim, a pessoa poderá distorcer a realidade, omitir fatos, manipular as informações e, até usar de artifícios enganadores para que a responsabilidade pelas circunstâncias na relação seja sempre sua, e não dele.



Um indício muito genuíno de um envolvimento com uma pessoa abusadora são os seus sentimentos que se mobilizam nas diferentes interações. Você percebe que alguma palavra ou atitude do outro te deixa desconfortável ou causa estranhamento? Sente que está pisando em ovos ao falar com ele (ela)? Identifica que se sente invadida, seja física ou psicologicamente, quando conversa com esta pessoa? Percebe que ele (ela) distorce o diálogo para que sempre tenha razão acerca do que estão conversando? Sente que você se omite ou não expressa seus pensamentos em sua plenitude?

Outra questão a ter cautela é sobre os relacionamentos intensos e que caminham rapidamente para um compromisso mais sério. Não é que todas as relações com estas características serão abusivas. Mas o perigo é que a intensidade das emoções vivenciadas ofusca a nossa capacidade de atentar para as questões pontuadas logo acima e com isso, caso um dos pares tenha o perfil abusivo, aí, possivelmente, o que era um conto de fadas pode ser transformar em uma versão mais dramática de Jogos Mortais.

Por fim, como prometido nesta conversa, trago uma lista de pontos de atenção extraída do livro “ Relações Destrutivas” de Averyl Neal:

  • ·         Ele é intenso e se envolve demais;
  • ·         Tem necessidade de contato constante;
  • ·         Considera o relacionamento muito sério em pouco tempo;
  • ·         É excessivamente simpático e não parece ser sincero;
  • ·         Monopoliza sua atenção ou a desencoraja a estar com outras pessoas, especialmente se perceber que não gostam dele;
  • ·         Fala de forma desrespeitosa de seus antigos relacionamentos;
  • ·         Tem uma história de não cooperação com os outros;
  • ·         É desrespeitoso com você;
  • ·         É controlador e possessivo;
  • ·         Pressiona por sexo;
  • ·         Ela a intimida quando está com raiva;
  • ·         Ele tem dois pesos e duas medidas;
  • ·         Trata você diferente na frente dos outros;
  • ·         Menospreza suas realizações ou metas;
  • ·         Nunca parece estar feliz com você, não importa o que você faça nem quanto se esforce;
  • ·         Constantemente questiona você e suas decisões.


Por fim, gostaria de deixar um recado: ame-se acima de tudo. Não permita que o outro te agrida seja por qual for motivo. Procure apoio dos amigos, familiares e, caso sinta necessidade, procure ajuda profissional de um psicólogo.

Fique bem!
Grande Abraço!


Karine David Andrade Santos
 Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista e Mestre em Psicologia (UFS)
Celular:  79 999192385
 skype:  Karine David Andrade Santos
|endereço:  Praça Tobias Barreto 510 Centro Médico Odontológico Sala 1210

27 março, 2017

O que todas as pessoas deveriam conhecer sobre relacionamentos violentos.

Olá! Olá! Meus caros leitores e leitoras! Para fechar os textos alusivos ao dia Internacional da Mulher, hoje venho falar sobre relacionamentos violentos. Não irei trazer necessariamente as características deste tipo de relação mas apresentar determinados discursos que são comuns na fala das vítimas.

Muitas pessoas ficam indignadas, consternadas e até mesmo intolerantes com aquelas mulheres vítimas de violência que costumam ir e voltar para estes relacionamentos. Não entendem como uma pessoa constantemente violentada pelo parceiro não coloca um ponto final na relação. Afinal será mesmo que existem mulheres que gostam de apanhar?

Será que estas mulheres não enxergam o tipo de relacionamento em que está envolvida? Será que ela o ama tanto a ponto de se submeter a violência física ou violência psicológica? Será que ela não consegue enxergar o parceiro violento com quem está se relacionando? Afinal o que se passa?

Por isso, trago aqui pontos muito comuns na fala da vítima, dos amigos ou de outras pessoas que convivem ou tem conhecimento desta relação.



  1. A esperança

Muitas mulheres/homens alimentam a esperança de uma mudança gradual e espontânea por parte do parceiro. Acreditam que, através da paciência e da boa vontade, vão conseguir a mudança tão desejada no comportamento violento do parceiro. E assim costumam ir e voltar para este relacionamento sempre na esperança da transformação do parceiro.

E isto se torna mais grave quando sabemos que a violência é cíclica e em uma destas fases, o parceiro realmente vai se mostrar mais terno, carinhoso e gentil. Mas isto é só uma fase que precede a violência.

Abaixo coloco as fases da violência para que possamos relembrar como a vítima pode alimentar a esperança devido ao comportamento do parceiro em uma destas fases:

Fase de tensão: período em que a violência não se manifesta de maneira direta mas através da linguagem não-verbal como mímicas, gestos e movimentos agressivos e pelas mudanças nos tons de voz. A vítima empreende um esforço para evitar o ato violento mas, com o passar do tempo, o controle enfraquece e a fase da agressão se aproxima.

Fase de agressão: é o momento em que o agressor (a) grita, insulta, ameaça, quebrar objetos e, por fim, agride fisicamente a pessoa através de empurrões, tapas, socos, braços torcidos e, nas relações conjugais, normalmente os homens costumam forçar uma relação sexual.
Ocorre uma explosão de atos de violência e a vítima se sente impotente e triste.

Fase de desculpas: Esta é a fase em que o agressor (a) apresenta comportamentos que buscam anular ou minimizar os efeitos dos atos de violência anterior. O agressor (a) tenta justificar seu comportamento violento através de motivos externos. Muitas vezes as vítimas acreditam nas desculpas, arrependimentos, juras de amor e promessas de mudança. O objetivo deste momento para a pessoa que agride é fazer com que a vítima esqueça a raiva e ponha a culpa em outras fontes de irritação ou mesmo na vítima.

Fase de reconciliação: Esta é famosa fase de "lua-de-mel". O (a) agressor (a) costuma oferecer atenção, gentileza, cooperação, cordialidade e, em muitos casos, presenteia a vítima. Nas relações conjugais, este período o (a) agressor (a) está sendo sincero pois tem medo de ser abandonado (a). A vítima recupera a esperança e acredita na mudança de comportamento do (a) agressor (a). No entanto, o ciclo da violência pode ser reiniciado a qualquer momento.

2.         2.O amor

Muitas mulheres estão vinculadas ao relacionamento violento pelo amor. Mas neste contexto acreditam que o sofrimento causado pela violência física e psicológica é inerente a qualquer relacionamento.

Também existem mulheres em relacionamentos violentos que ficam fixadas em uma imagem idealizada do parceiro e não conseguem se desvencilhar da relação pois não conseguem “enxergar” quem é realmente este parceiro.

E por falar em amor, cabe lembrar que este sentimento está muito relacionado a posse, controle e propriedade sobre o (a) parceiro (a) nas relações. Mas o amor está muito mais relacionado a liberdade, desenvolvimento e crescimento da pessoa amada.

O que estou querendo dizer é que quando uma relação é baseada nos termos citados, ambos crescem, evoluem e conseguem ter uma vida INDEPENDENTE do outro.

Então será que é amor mesmo?



3.             3.O medo

Esta emoção está presente nos relacionamentos violentos. É quando a mulher tenta adequar seu comportamento, gestos e sentimentos para que o parceiro não reaja violentamente. Ou mesmo esta aflição faz com que estas mulheres nada façam para sair desta relação violenta.

Há também um temor pela perda do “amor do parceiro” ou pelo que ele pode fazer com ela. E isto se torna mais evidente, quanto maior for a sensação de desamparo desta mulher. Assim, devido ao desamparo e ao medo associado, muitas permanecem.

4.                 4.A culpa

Pois é. Muitas mulheres acreditam que existem algo em si provocando a violência no parceiro. Neste sentido, muitas estão em busca de algo em sua personalidade ou no corpo que sejam “provocadores” desta reação violenta no parceiro. Dentro deste processo, a vítima costuma internaliza este sentimento.



5.                5.A dependência emocional/financeira

Existem mulheres em relacionamentos violentos que se sentem desamparadas e dependentes pois foi esta mensagem recebida em alguma fase da sua vida sobre o que é ser mulher. Além disso, algumas não trabalham ou mesmo que trabalhem, sentem-se dependentes daquele parceiro emocionalmente.

Com isso, elas investem em qualquer relacionamento, mesmo que sejam violentos, para vivam “amparadas” por um homem e com isso, eles detêm todo o poder dentro de uma relação e assim, sentem-se autorizados a bater, empurrar, desqualificar e por aí vai.

Estas são as principais causas que prendem muitas mulheres a relacionamentos violentos. Com isso, não existem mulheres que gostam de apanhar. Existem mulheres sozinhas, desamparadas e subjugadas ao escrutínio social que desconhecem as amarras invisíveis desta relação.

Se você conhece alguém nesta relação, repasse este texto. Sinceramente espero que ajude!

Até a próxima!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

17 março, 2017

Seis coisas que nem toda mulher quer em um relacionamento!(E muito mais!)

Olá!Olá minhas queridas e queridos leitores do blog! Cá estamos em mais um texto especial alusivo ao Dia Internacional da Mulher! E vamos falar sobre o que? Sobre o que? Relacionamento.

Mas vamos conversar sobre algo que antecede um relacionamento amoroso propriamente dito. O bate-papo de hoje é sobre algumas questões que fazem parte ou supostamente fazem do início de um namoro, um ficar e por aí vai.

Então chega junto que a conversa só está conversando!

A primeira que precisamos chamar atenção são sobre os diferentes, digamos, direitos,deveres e obrigações colocados para a mulher.

Para ter um quadro breve e rápido de como normalmente a mulher é vista antes, durante e depois de um relacionamento amoroso, poderíamos pensar em uma dama esperando seu príncipe encantando chegar montado em um cavalo branco e levá-la para um lugar seguro em que serão felizes para sempre.

Neste sentido, podemos pensar que o papel da mulher a ser assumido é de fragilidade, submissão, dependência, idealização, desamaparo e por aí vai. No entanto, preciso salientar que não estou condenado quem aprecia este tipo de relacionamento. Mas o que chamo atenção é para um tipo de obrigatoriedade que a mulher deve seguir.




Bom para eu seja mais específica neste assunto, trarei uma lista daquilo que nem toda mulher gosta, aprecia ou faz durante uma conquista amorosa:

  • Nem toda mulher gosta de receber cantadas


Sabe aquelas cantadas “Gostosa”,” Ah lá em casa”,”Tesão” e até outras, digamos, mais elaboradas não caem gosto de algumas mulheres. Isto porque a mensagem passada por estes tipos de investidas é que a mulher somente se resume a um objeto a ser consumido e depois descartado. Literalmente.

Normalmente elas gostam de homens/mulheres que estabeleçam um bom bate-papo, apreciem aspectos do seu jeito de ser e de sua personalidade, sejam mais que simplesmente “um corpo bonito e sarado ou mesmo um rostinho bonito, enfim, vejam aquela pessoa como um todo e vice-versa. E por isso vou tocar em mais um assunto polêmico que será tratado a seguir.

  • Nem toda mulher gosta que o seu corpo seja o principal aspecto em uma conquista


Conforme já comentado, assim como nas cantadas, nem toda mulher gosta que o seu corpo seja o principal aspecto atrativo em uma conquista. Não estou aqui ignorando aspectos de ordem visual que envolvem uma atração.

Mas convenhamos quando isto passa a ser o sustentáculo principal nas investidas amorosas, a mulher passa a ser um mero objeto e como qualquer objeto, pode ser manipulado, usado e descartado quando e de que maneira o usuário quiser.

Não estou colocando um tom moralista e condenando os relacionamentos fugazes e que se baseiam somente em uma mera atração física que culmina em relações fugazes! O ponto não é este! O que discuto aqui é como esta mulher é percebida nas conquistas amorosas como algo objetificado, passivo, permissivo e sem iniciativa. E por isso vou tocar em algo mais polêmico ainda no próximo item.




  • Nem toda mulher quer ser conquistada na relação.


O que estou querendo dizer com isso? Existem mulheres que gostam de realizar as investidas. E, infelizmente, no jogo amoroso, muitos homens não gostam deste tipo de comportamento da mulher. E os apelidos são inúmeros: “Caçadora”, “Predadora”,”Safada”,”Galinha”, “Assanhada” e outros.

E por que isto acontece? Mais uma vez, o ideal de relacionamento romântico( que têm muitos itens machistas em seu pacote) dita que não é coisa de mulher ter este papel ativo durante conquista. Aliás é de muito bom tom que ela fique dificultando a conquista até ceder as investidas do cavalheiro.(Ou machista).

Quem começa um relacionamento dentro de um papel passivo e permissivo, possivelmente vai continuar no mesmo. E aí a situação fica mais difícil se os abusos ou violências neste instalarem ao longo da relação.

Então a reflexão que trago é: será mesmo saudável assumir este papel de dama a ser conquistada na relação? Será que já não estamos sinalizando previamente o nosso desamparo e passividade para um possível parceiro? E assim nós colocamos em uma maneira de ser em que o parceiro/a parceira governa completamente uma futura relação? Ficam as questões.

Antes que eu esqueça: uma conquista saudável é troca e não uma mera caça/caçador(a). Aliás nem homem nem mulher devem ser tratados como meros objetos.

  • Nem toda mulher quer retribuir as investidas de um homem.


Este é um assunto que precisa ser falado aos quatro ventos: nem toda mulher quer retribuir as investidas de um homem. E isto precisa ser respeitado! E falo com veemência por que não sou poucos os relatos de mulheres que são agredidas fisicamente, xingadas ou até mesmo e estupradas por que não cederam as investidas de um homem.

E aí eu retorno mais uma vez a questão da posse, do autoritarismo, do machismo, enfim, de tudo aquilo que faz com que o homem se sinta autorizado e apoiado a possuir aquela mulher de alguma maneira. Afinal ele é macho e não admite ser confrontado com uma recusa por parte da mulher não é mesmo?

Este é mais uma manifestação do machismo em uma de suas faces mais perversas!



  • Nem toda mulher gosta de cavalheirismos


Por mais que pareçam educado e fino que sejam: abrir as portas para a mulher, puxar  a cadeira para sentá-la, pagar a conta do jantar, segurar as sacolas nas compras, cumprimenta-la “como se fosse uma dama do século XIX”  e tantos outros gestos de serventia do homem em relação a mulheres, algumas delas não gostam. E vou explicar o motivo.

Se você notar bem tudo que escrevi anteriormente, a mensagem veiculada por gestos aparentemente gentis trazem um quê de machismo de maneira bem sutil. É como se a mulher devesse ser tratada como algo frágil, que precisa ser cuidado e protegido, que é débil e sem iniciativa e por aí vai.

Mais uma vez: não estou julgando aquelas mulheres que gostam. Mas pontou algumas questões que precisam ser trazidas à tona principalmente no que tange ao suposto romantismo nas relações amorosas.
  • Nem toda mulher quer um relacionamento sério.


Pois é meu caro e minha cara. Como já disse em um algum momento, nem toda mulher se encaixa no perfil daquela que deseja ter um companheiro e por isso, algumas não querem relacionamento sério. E isto não a fazem nem menos e mais mulheres. Simplesmente são pessoas que escolheram uma outra maneira de relacionar com homens e mulheres.

Mas será que ela não fica muito rodada por aí e.....? Por trás desta pergunta, há um quê de “preservação da honra da mulher” para que ela seja respeitada e digna no meio social(!?). Mais uma vez o controle da sexualidade entra em cena para que esta mulher encontre o lugar que, supostamente, ela deveria estar: infeliz e comportada mas à procura de um homem de maneira recatada.

Bom espero que este texto tenha te ajudado e caso, alguma mulher ou outra pessoa precise da leitura do texto, compartilhe.

Grande Abraço!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


08 março, 2017

O que nem toda mulher quer neste e nos demais dias da sua vida?

Olá! Olá! Tudo bem? Cá estamos em um mais um texto. E este é bem especial pois, hoje é Dia Internacional da Mulher! E você, minha cara leitora, já deve estar passando por aquela situação, no mínimo, inquietante, de ser parabenizada, louvada e reconhecida neste maravilhoso dia!! ÊÊÊÊÊÊ, uma salva de palmas para a mulher!!

Brincadeiras e ironias à parte, vamos falar sobre como nós (estou me incluindo) que sentimos aquela inquietação, aquela cara de pastel que fazemos quando somos parabenizados ou até mesmo um susto pelo elogio neste dia pelo mais machista que você conhece. (Diga se você já recebeu um abraço ou um aperto de palma desta criatura? Não tenha vergonha, vamos.... Pode falar!).

E aí minhas caras e meus caros? Por que? Por que nós, mulheres, nos tornamos estes seres iluminados, glorificados, louvados, reconhecidos, amados e VISÍVEIS somente neste dia? O que realmente acontece nos outros 364 dias do ano com este ser? Será que devemos pôr uma pá de cal neste dia e solta simplórios palavrões que ficam entalados na garganta de muitas mulheres quando chegam este dia?

Bora lá! Vamos com calma! Na realidade, este dia faz alusão a trágico dia da história da humanidade em que várias trabalhadoras em luta por melhores condições de trabalho morreram queimadas após os seus patrões terem trancado a fábrica e ateado fogo nas instalações.

E eis que fica a pergunta: será que este único dia do ano em que somos lembradas não nos faz lembrar que deveríamos ser visíveis em todo e qualquer dia do ano? Que a vida de qualquer mulher deve ser respeitada, VISÍVEL e ser levada em conta dentro mesmo que não esteja dentro de X ou Y parâmetros?




Assim, seguindo a série sobre Quebrando mitos, vamos discutir alguns aspectos banais mas que se revestem de extremo significado.

  •    “Nem toda mulher é pura emoção”

Bom esta é uma maldita herança do século XIX em que diversos estudos científicos demonstravam o quanto a mulher era um ser com as emoções à flor da pele e isto servia como base para justificar as desigualdades entre homens e mulheres. Assim, as mulheres deveriam estar confinadas em seus ambientes domésticos, cuidando dos filhos, da casa e do seu marido. Além disso, por ser somente este ser emocional, ele teria destreza intelectual para argumentar, debater ou construir um raciocínio coerente sobre “os assuntos de homem”.

E cá estamos nós em pleno século XXI. E aí as coisas mudaram? Não. Digamos que somente trocamos os adereços, os figurinos e as tecnologias. Hoje esta mulher pode trabalhar. Mas precisa trabalhar, ralar, suar e demonstrar incansáveis vezes que ela SABE o que faz, que ela tem CAPACIDADE para ocupar aquele posto de trabalho, que ela MERECE ser reconhecida, enfim, que PODE TRABALHAR

O triste é que, apesar de tudo, ela ainda ganha bem menos. Por que será hein?

Ah é só para não esquecer ela tem que se virar nos trintas para ser uma mãe e dona-de-casa exemplar que não deixa suas atividades de casa interferirem no trabalho e nem seu trabalho interfira nos cuidados de casa e com os filhos. Lembra uma verdadeira trapezista de circo não é mesmo?

Assim, conseguimos ter PERMISSÃO do mundo, do marido, do vizinho, da titia e da vovó para trabalhar. Mas JAMAIS se esqueça de qual é o local mais adequado para você, ok?




  • .                 Nem toda mulher gosta de cuidar de assuntos domésticos

Antes que eu dê a impressão que estou rejeitando o trabalho de milhares de donas de casa, preciso esclarecer algo: TODO TRABALHO DA MULHER É DIGNO EM QUALQUER AMBIENTE QUE SEJA FEITO e ponto

Sei das duras horas trabalhadas por milhares de mulheres em suas casas, de maneira integral ou não, que não são reconhecidas e nem valorizadas. E aí é que entra a questão: a obrigação da mulher é cuidar destes assuntos domésticos. E por isso mesmo, não precisa ser reconhecido e valorizado.

Com isso, voltamos ao nosso velho reduto do século XIX e XX em que lugar de mulher é em casa cuidando dos filhos e da casa. E isto foi tão imposto goela abaixo das mulheres através da educação, da mídia, da igreja, da família, da escola e de diferentes instituições que NATURALIZAMOS este aspecto. Assim, parece que nascemos destinadas a sermos organizadas, cuidadosas e afeitas aos afazeres domésticos.

E aí quando algumas mulheres destoam um pouquinho desta imposição, elas ficam sujeitas a olhares assustados e recriminadores, caras de horror, perguntas inquisidoras e olhares por que não está cuidando do seu devido lugar.


  •  Nem toda mulher é boazinha.

Coloquei este termo boazinha de propósito. O que estou querendo falar com o termo “ boazinha”? É aquela pessoa que faz sacríficos, deixa seus interesses pessoais de lado para atender os alheios, evita confrontos, engole calada as situações de injustiça e principalmente não quer desagradar as pessoas ao seu redor. Agradar é o seu lema!

E é muito comum que associem este papel de boazinha as mulheres. Afinal, a mulher deve ser dócil, gentil, educada, paciente, conciliadora, resignada e até quem sabe, um ser invisível que todos usam e abusam. Literalmente!

E neste vai e vem que a mulher sente este peso de ser algo bonzinho, bonitinho e de boca fechadinha. Que deve aguentar os abusos na rua, no transporte, no trabalho e dentro de quatro paredes, que deve ser paciente, tolerante e resignada com aquele companheiro violento, que deve sorrir para aquelas piadinhas sem graça e machista ouvidas a torto e a direita, que deve falar manso e com cuidado quando estiver explodindo de raiva, que deve ser discreta e falar em tom baixo com as pessoas e por aí vai. 

São tantos os deveres que não cabem em um texto.

Enfim, amigos e amigas, será que você nunca fez comentários maldosos ou assustados sobre aquela mulher que “não leva desaforo para casa”? Ou então sobre aquela que não tolera abuso ou diferença em qualquer ambiente que passa? 

Ou (este é um clássico!) Aquela que fala palavrões, anda onde quer e com quem quiser e não se abala com os conselhos sobre ser uma menina boazinha?


  • Nem toda mulher quer ser mãe.

Ser mãe. Eis aquele destino escrito nas estrelas e cravados nos ouvidos das mulheres de qualquer idade que ela deve ser seguir de algum jeito. Te vira minha amiga! Afinal, toda mulher trabalha, cuida de casa e têm filhos. E ainda são lindas, maravilhosas e felizes! (Ah as propagandas de margarina…).

“Vai chegar uma hora em que você vai sentir um desejo de ter filho! ”, “ Você só sentirá completa como mulher se for mãe! ”, “ Você não sabe a alegria de ser mãe! ”, ” Quem vai cuidar de você quando estiver mais velha? ”

Queridos e queridas do meu Brasil! A maternidade, o desejo de ser mãe e todos os outros elementos norteadores desta questão não são SOMENTE biológicos. É uma combinação de aspectos psicológicos, biológicos, históricos, culturais e sociais. E aí tchanram: a mulher pode ser mãe ou não!


  •      Nem toda mulher quer um companheiro ao seu lado.

   
 Muito parecido com a questão da maternidade e comentado no texto anterior, muitas mulheres se sentem completas, felizes e em total harmonia consigo nesta condição. E isto pode não ser algo transitório. A solteirice feminina ainda é aceita quando é algo transitório quando ela está evoluindo na carreira, estudando, em busca de melhores condições financeiras, enfim, está ocupada com algo que não seja compatível com um matrimônio ou algo semelhante.

Mas, meu caros, quando esta mulher tem todos os pré-requisitos para contrair um matrimônio, ter um companheiro ao lado ou qualquer outra situação do tipo e não segue o que está dentro do recomendado socialmente......Algo estranho deve estar acontecendoo...Será que ela é muito ciumenta, grudenta, autoritária.Será que é tão inteligente que os homens não se aproximam...

Antes de mais nada, sei que muitas mulheres estão solteiras e querem ter um companheiro. Não há problema nisto de maneira nenhuma! Mas o que discuto é: por que esta condição de escolher ser solteira não é respeitada?

Assim como na questão de maternidade, é algo de ordem biológica, psicológica, social, cultural e histórica. São fatores que governam a vida de cada pessoa. E cada pessoa tem um contexto específico para estes aspectos assim como em suas escolhas.



  •  Nem toda mulher quer rosas neste dia


Toda mulher quer ser respeitada, reconhecida, VISÍVEL, amada, abraçada, elogiada e dignificada nos outros 364 dias do ano. Toda mulher quer que sua vida não esteja em risco por que interrompeu um relacionamento. Toda mulher quer que seu corpo, seus sentimentos e seus pensamentos não sejam alvo de deboches, cortes e qualquer tipo de abuso seja de ordem física ou psicológica. 

Toda mulher quer que suas escolhas sejam respeitadas, encaixadas ou não nos parâmetros sociais, e ouvidas pelas pessoas ao seu redor. Toda mulher quer que o seu ser feminino não seja visto como algo defeituoso, feio, maldoso e burro em sua essência.

Nem toda mulher quer rosas neste dia. Nem toda mulher quer receber sorrisos amarelos e rostos hipócritas neste dia. Nem toda mulher quer ser RECONHECIDA, LOUVADA E VISÍVEL somente neste dia. Nem toda mulher quer receber os gestos de cavalheirismo e os presentinhos neste dia. Nem toda mulher quer ser levada a restaurantes, cinema, teatro e receber um abraço carinhoso do seu companheiro somente neste dia. 

Nem toda mulher quer receber apoio por qualquer luta diária enfrentada somente neste dia. Nem toda mulher quer que seu companheiro divida as tarefas domésticas somente neste dia. Nem toda mulher, infelizmente, sabe que lugar de mulher é onde ela quiser.



E assim não vou desejar um mero feliz internacional da mulher. Desejo um feliz 365 dias para “nem todas” e” todas” mulheres!

Recebam meu ramalhete de respeito, companheirismo, solidariedade, sororidade e carinho por todas vocês!

Até a próxima!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460
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