Como o machismo torna homens e mulheres inúteis?

28 agosto, 2016

Como o machismo torna homens e mulheres inúteis?


Você, cara leitora, já se sentiu invisível ou desqualificada em momentos de reunião social ou profissional? Já se perguntou o que estava fazendo ali e teve vontade de sumir do local? Ou mesmo não recebeu a atenção de um vendedor de loja quando estava na companhia de um homem, ou seja, o vendedor deu atenção para aquele que supostamente decide a compra?

Talvez esta última situação não seja tão comum. Mas qual mulher não teve que apresenta um sorrisinho sem graça e sociável quando homens falavam piadas ou comentários, no mínimo, maliciosos sobre as mulheres?

São pequenos gestos, silêncios, falta de atenção e desqualificação da presença feminina em ambientes públicos e até mesmo privados que demonstram como o machismo pode se fazer presente sem muita visibilidade.

Muitas mulheres costumam ser silenciadas por gestos impacientes, suspiros de enfado, olhares recriminadores, desvios de atenção, mudança no assunto central do diálogo ou pelos clássicos: ” Vai começar outra vez” ou “. Não comece! ”. Mas alguns podem estar pensando?

”Ah, também existem mulheres que falam demais e por isso, eu perco a paciência. ” Daí eu pergunto: “Por que existem mulheres que estão sempre falando muito? Será que você REALMENTE escutou o que ela tem a dizer? Ou direcionou sua atenção para aquilo que você quer?

Não quero aqui travar uma batalha contra os homens, mas apresenta como o machismo deixa armadilhas para homens e mulheres. E estas armadilhas repercutem na qualidade dos relacionamentos. Muitas mulheres se sentem aviltadas e menosprezadas quando são exigidas ter inteira disponibilidade para atender as demandas dos homens em diferentes ambientes da sua vida.

Assim, não é difícil encontrar mulheres que devem (isso mesmo é obrigação!) Trazer água, café, procurar números telefones e fazer uma infinidade de tarefas pequenas que consomem o tempo da mulher. Afinal, estas tarefas são coisas de mulher.

Dentro destas situações apresentadas, o que fica claro é que o conforto do homem é mais precioso e útil do que o da mulher.



Mas para que esta situação se construa, cabe lembrar que, muito possivelmente, este homem APRENDEU que as mulheres devem ter seu tempo e espaço disponíveis para ele e, ao mesmo tempo, aquela mulher que atende a todas as demandas do homem, também APRENDEU que este é o seu dever.

Assim, o machismo é uma forma de enquadrar e aprisionar homens e mulheres em papéis pré-definidos.

Com estes papéis pré-definidos, criamos uma legião de homens e mulheres inúteis. Os homens não sabem preparar seu café-da-manhã, falar sobre seus sentimentos, costurar um botão, fazer tarefas domésticas como varrer, lavar louça, cuidar das crianças...

 E o que costuma ser engraçado é que muitas mulheres se apressam em intervir rapidamente quando eles experimentam entrar em atividades “femininas”: “Saia daqui, pois você vai queimar a comida! ”, ” Esta camisa está malpassada. Eu vou passá-la novamente! ”

 E é assim neste jogo que os homens se declaram incompetentes e inaptos para exercer as atividades domésticas. Ao mesmo tempo, as mulheres fazem uso deste discurso para reservar uma quantidade de atividades e habilidades domésticas para si e com isso, encontram uma forma segura de se tornarem indispensáveis.

Por outro lado, as mulheres se declaram incompetentes para resolver grande parte dos problemas cotidianos como: trocar uma lâmpada, pendurar o quadro e, principalmente, atividades de manutenção do carro. Muitas nunca aprenderam e nem cogitam a possibilidade de aprender. 

Este tipo de atitude potencializa a dependência das mulheres em relação aos homens bem como dá margem a ideia de que realmente existem áreas femininas e masculinas.


O que gostaria de deixar claro é que tanto homens como mulheres precisam experimentar atividades e habilidades diversas na vida. Mas isto só será possível se tivermos alterações substanciais na maneira como meninas e meninos são educados em diferentes âmbitos da sua vida.



A curiosidade e o experimentar são ceifados pelo discurso e por práticas machistas. Muitas crianças são recriminadas de diferentes maneiras quando tentam adentrar em atividades e habilidades do sexo oposto. E este trânsito é mais bloqueado principalmente para os meninos que queiram brincar e interagir com “coisas de menina”.


E assim vamos separando homens e mulheres em caixinhas herméticas cujas possibilidades de comunicação são interrompidas ou prejudicadas pela omissão, menosprezo, desqualificação ou silêncio patrocinados pelo discurso machista e estereotipado.

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