Cinco momentos das Olimpíadas que derrubam o preconceito contra a mulher

20 agosto, 2016

Cinco momentos das Olimpíadas que derrubam o preconceito contra a mulher




As Olimpíadas 2016 estão chegando ao fim neste final de semana. Confesso que, em razão do histórico uso da política do pão e circo para desviar os espectadores de sua realidade social, inicialmente não estava animada e até desatenta aos jogos. Mas, aos poucos, foram surgindo imagens, momentos, jogos e falas que remetiam ao empoderamento feminino e a queda de conceitos machistas e sexistas.

Então serão listados momentos e imagens que traduzem um pouco do que eu estou falando.


1       1.O Futebol Feminino Brasileiro

Em pleno país do futebol, eminentemente marcado pelo machismo, as mulheres jogaram como mulheres. Nem menos técnico nem mais técnico. Como mulheres. Apesar da atenção da torcida se volta para o futebol feminino brasileiro quando o masculino não estava bem, é inegável que um muro da entrada das mulheres em uma área eminentemente masculina está começando a cair.

São as inúmeras dificuldades enfrentadas pelas mulheres dentro deste esporte tais como dificuldade de patrocínio, disparidades na remuneração, falta de apoio de uma equipe multidisciplinar, dentre outras, fica a lição de como precisamos que menino, naturalmente, ” quer brincar de bola” e menina, naturalmente”, quer brincar de boneca”.

Apesar de não terem conquistado medalhas, elas deixaram bem claro em suas jogadas e entrosamento que meninos e meninas precisam experimentar e escolher suas brincadeiras.



2        2.  O desabafo de Joana Maranhão


Alvo de comentários misóginos, xenófobos e de ataque a sua integridade física nas redes sociais, Joana Maranhão falou em entrevista sobre o racismo, o machismo e a homofobia em nosso país. Dentre os comentários, ela leu que merecia ser afogada e até estuprada o que remeteu ao trauma sofrido pela atleta no passado. Veja um trecho da entrevista:


Fonte: Revista Fórum


“O Brasil é um país muito racista, preconceituoso, racista, homofóbico, voltado ao futebol, e os ataques que são feitos lá as pessoas pensam que não afeta. Eu sempre me posicionei politicamente, porque sinto que todo ser humano tem um papel a fazer, mas eu quero um país para todo mundo. Não quero que a Tais Araújo seja chamada de ‘macaca’, que a Rafaela Silva seja chamada de ‘decepção’, amarelona'”.

Fonte: Revista Fórum

Este episódio é exemplar sobre como proceder em casos de violência por que muitas mulheres se calam diante de ofensas, da violência psicológica e da misoginia. Joana Maranhão expos sua indignação e revolta para a imprensa brasileira e mesmo com a magnitude dos comentários e do abalo emocional, ela não permitiu ficar calada. #todasomosjoanamaranhão


3.         3. O ouro de Rafaela Silva

 A primeira medalha olímpica de ouro para o Brasil nestes jogos olímpicos foi protagonizada por uma homossexual, negra e pobre. Ouro no judô peso leve, a conquista foi um verdadeiro tapa na cara de homofóbicos, racistas e preconceituosos. Além disso, foi a oportunidade que ela teve para desabafar que “o macaco saiu da jaula”.


Após a eliminação nas oitavas de final nos jogos olímpicos de Londres, Rafaela foi chamada de macaca e leu em suas redes sociais que ela era uma vergonha para sua família. Ela passou por um período depressivo que quase fez com que ela desistisse de lutar. Mas, com o apoio de uma psicóloga, Rafaela deu a volta por cima e calou a homofobia e o racismo em um só golpe.


           4.O ouro de Martina Grael e Kahena Kunze na vela.

Mais um preconceito sendo desafiado: mulheres não têm noção espacial e/ou não sabem dirigir. Filha do lendário atleta Torben Grael, Martina contou com o apoio do pai e técnico bem como de companheiros do esporte.


E aí, caro (a) leitor (a), será que estamos incentivando nossas meninas e mulheres ou mesmo deixando que experimentem atividades que envolvam noções espaciais? Será que é natural a mulher não ter senso espacial?


5.         5.A força do corpo feminino


Em diferentes modalidades, tivemos oportunidade de ver que o corpo feminino não é tão frágil como parece. Para ilustra de forma mais clara esta afirmação, foi possível assistir a força da pequena Flávia Saraiva com seu 1,33 metro de altura e seus 33 quilos que voava na competição da trave.


A força e resistência de ginastas brasileiras, como Daniele Hypólito, e de atletas de outros países como Simone Biles demonstram que está na hora de rever conceitos sobre força e resistência dos corpos masculinos e femininos.



E para você caro (a) leitor (a)? O que as mulheres te ensinaram nas Olimpíadas 2016?

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460

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