Seis passos para construir um futuro misógino(e como fazer para desconstruir)

28 agosto, 2016

Seis passos para construir um futuro misógino(e como fazer para desconstruir)

Por que será que dei tanto carinho para o filho e hoje ele me trata mal e desrespeita a companheira e qualquer outra mulher ao seu redor? Suportei uma péssima relação com o meu marido durante anos com o meu marido e hoje vejo que ele é tão agressivo com a esposa como o pai era comigo?

Esta são algumas perguntas de mães, amigos e outras pessoas do círculo social e familiar de um homem agressivo quando não encontram causas ou motivos para o comportamento violento/ abusivo daquela pessoa.

Por mais que seja duro, infelizmente, este homem violento/abusivo APRENDEU/COMPREENDEU, seja de maneira explícita ou implícita, que ele deve ter o comando e a superioridade naquela relação

Este é o primeiro ponto básico que sustenta a assimetria nas relações de uma maneira geral e o ponto de partida para a prática de abusos e/ou atos de violência direcionados para a companheira/esposa.



Estamos imersos em uma sociedade machista, sexista e misógina que exacerba as provas de masculinidade que sempre põem em xeque a virilidade, a força, o poder, a violência e a autoridade. 

Com isso, não é incomum que muitos homens interpretem ou entendem atitudes ou comportamentos de seu companheiro como uma afronta a sua masculinidade e poder dentro daquela relação.

Além deste aspecto sociocultural, conforme mencionado anteriormente, estes homens aprendem este modelo misógino e agressivo dentro do ambiente familiar. 

Para esclarecer melhor esta questão, trago algumas questões sobre misoginia tratados no livro Homens que odeiam suas mulheres e As mulheres que os amam de autoria da Dra. Susan Forward e Joan Torres:

1.Pais misóginos

Homens cujos pais têm ideias fixas e rígidas sobre os papéis de homens e mulheres aprendem que, dentro da relação, o homem tem o papel de comando e suas ordens devem ser obedecidas de maneira passiva pela mulher.

2.Seja como seu pai e você estará seguro

Algumas crianças são criadas em ambientes em que o pai agressivo e autoritário representa a figura de fortaleza e segurança. Suas atitudes trazem a mensagem de que a sua maneira de ser é o modelo a ser seguido.

Assim, ao se identificar com o pai, o menino reproduz a tirania e o abuso com as mulheres em sua relação no futuro.

3.Quando a mãe assume o papel de vítima

Mulheres submetidas a uma relação opressiva com seus maridos se submetem ao papel de vítima e com isso, ele se comporta como uma criança desamparada.
Assim, as crianças não possuem um modelo de figura materna forte bem como não têm um adulto que proteja das agressões e ameaças do pai.

4.A opressão é única forma de controlar as mulheres

Um homem com um pai misógino aprende que o homem tem o direito de controlar, desdenhar e menosprezar a mulher desde pequeno.

Assim, a partir desta ideia de controle, ele acredita que pode magoar, assustar e inibir a mulher para que possa exercer o seu poder.





5.Não confie nas mulheres

Homens que foram maltratados na infância pelo pai, muitas vezes, costumam culpar a mãe tanto ou mais que os pais pelos maus-tratos que foram submetidos.

Isto por que a criança espera que a mãe conforte e traga o amor, mas caso isto não aconteça, a vitimização da mulher em um ambiente familiar opressor faz com que ela não seja esta figura esperada de amor, conforto e segurança.

6.Quando a mãe é opressiva

Quando mães exercem o controle em tudo e todos no ambiente familiar e proporciona proteção excessiva aos filhos e o pai é uma figura passiva, o filho pode se tornar um misógino em decorrência do excesso de controle e proteção da mãe.

Na vida adulta, este se sente incapaz e desamparado diante de figuras femininas e com isso, pode chegar a maltratá-las e odiá-las.



Assim, o ambiente familiar tem grande peso na construção de futuros misóginos. Para fazer a esta realidade, é necessário uma cultura e paz e igualdade entre homens e mulheres.

Por mais utópico que seja, as pequenas ações têm grande potencial para mudança e acredito que assim como passo-a-passo construímos a violência e a misoginia, também podemos desconstruí-la.

Fiquem em paz! Grande Abraço!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


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