Você já percebeu o que é ruim ou bom para você? : o sofrimento da violência sexual

06 setembro, 2016

Você já percebeu o que é ruim ou bom para você? : o sofrimento da violência sexual


Olá, caro(a) leitor(a),

Sinto-me muito honrada de ter sido convidada pela psicóloga Karine Santos para escrever em seu blog e falar sobre violência.

Faço atendimento voluntário com pessoas que sofreram algum tipo de violência e desde então procuro compreender melhor a dor dessas pessoas e o comportamento que elas têm perante algumas situações da vida.
Você que já está familiarizado com os textos Karine consegue compreender um tipo de violência muito mais comum do que se imagina, infelizmente.

A violência sexual acomete boa parte da população mundial, e muitas vezes, não são nem denunciadas, e nem percebidas como violência. Essa percepção torna-se pessoal, conforme a cultura e as crenças que as pessoas têm sobre determinados comportamentos. 

Logo, o que eu entendo como um ato agressivo, outros veem com algo comum a sua cultura, talvez até como aquilo que tenham que “respeitar” e viverem conforme o que a sociedade em que se encontram acha certo.
Ok, não vou discutir aqui o que é certo ou o que é errado,  mas o que nos causa incômodo a gente precisa mudar. Primeiramente, é preciso entender que incômodo é este e como você se sente em relação a ele. Se te machuca, é uma violência que você sofre.

O problema é que, mesmo sentindo-se invadidas, agredidas e incapazes, algumas delas não enxergam tal ato como violento, e nisso, não discutem, ou não denunciam, continuando a viver da mesma forma, muitas vezes até se culpando por aquilo que acontecem com elas. 



São pensamentos de que merecem estar nesta condição, ou de que estão recebendo um favor, ou de que não podem decepcionar ninguém. Enfim, são infinitas formas de pensar que levam as pessoas a viverem essas experiências sem as considerarem tóxicas.

Dessa forma, é por isso que as estatísticas sobre violência sexual não apresentam a realidade em si. A vítima não denuncia ou por não achar necessário, ou por medo. E assim, continuam sofrendo violência do seu parceiro.

A casa, um local apropriado para a segurança de uma pessoa, muitas vezes é o ambiente em que ela mais sofre violência. Pesquisas já revelaram que boa parte dos agressores são pessoas que moram com vítima, ou de sua confiança, tanto para crianças, como para adultos.

Logo, é preciso entender que se te causa sofrimento, é violento para você.



Você já percebeu o que é ruim pra você? O que te causa dor? E se essa forma de viver é a que você realmente quer?

Quando for possível, é essencial conversar com aquela pessoa que lhe traz um desconforto e deixar bem claro as suas necessidades, o que é interessante para que vocês vivam bem. Se isso não for possível, dependendo da gravidade, é importante que se faça uma denúncia para que a vítima se sinta mais protegida.

Espero que este texto permitam que vocês reflitam mais sobre o modo que vivem e tomem uma atitude em relação aquilo que lhes façam mal.

Um grande abraço,


Tamires Mascarenhas, psicóloga clínica,
CRP 01/16416

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