A violência sexual não está em um beco escuro: você nem imagina que ela pode estar bem pertinho?

18 outubro, 2016

A violência sexual não está em um beco escuro: você nem imagina que ela pode estar bem pertinho?

Olá leitora! Hoje eu te convido para uma conversa íntima e muito pessoal. Daqueles papos que costumamos fazer com uma amiga muito próxima ou a depender da situação, nem queremos falar sobre isso. Adivinhou o que estou querendo falar: é sobre sexo sim mas sobre algo muito constrangedor e que causa muito conflito: a violência sexual. 

Mas como assim: eu nunca fui estuprada e costumo ter um parceiro fixo. Ah, isto não me interessa. Calma, calma! Isto pode ser sim do seu interesse. Para você percebe como este assunto pode te chamar atenção, por favor, responda a seguinte questão: quantas vezes você teve relação sexual com o seu parceiro só por que ele queria? 





Ou mesmo quantas vezes você permitiu (ou melhor foi forçada de alguma maneira) a ter relação sexual com o seu parceiro sem uso de nenhum tipo de preservativo? 
Então amiga vem comigo por que o babado é forte!


Para começo de conversa, vamos trazer uma definição deste assunto pela OMS (Organização Mundial de Saúde): violência sexual é qualquer ato sexual ou tentativa de obter ato sexual, investidas ou comentários sexuais indesejáveis, ou tráfico ou qualquer outra forma, contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção. 

A lei Maria da Penha também acrescenta que qualquer prática “que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação. ” Também se configura como violência sexual.

Em linhas gerais, quem é vítima deste tipo de violência costuma sentir que os seus limites corporais e psíquicos são desrespeitados, seus desejos e necessidades são ignorados e uma sensação de se tornar um mero objeto de desejo dos outros. 

Na realidade, o sexo ou outras posturas com este tipo de conotação é utilizado como ferramenta de controle, domínio, poder, submissão da vítima e de manifestação de sentimentos de superioridade normalmente machistas e patriarcais.

Muitas mulheres costumam ceder seus corpos, mesmo sem desejo, aos seus parceiros motivadas por uma ideia de que é um dever satisfazer seu marido, medo de que ele procure outras mulheres ou mesmo uma maneira de evitar agressões físicas ou o emprego da força física durante a relação sexual caso ela demonstre resistência.



Um dos aspectos que eu gostaria de chamara atenção é que boa parte dos agressores sexuais são constituídos pelos próprios parceiros e membros próximos da família. Aquela cena de uma mulher sendo molestada por um homem em um beco escuro não compõe grande parte dos casos.


Além do mais, como o ofensor é conhecido da vítima, muitas costumam silenciar a ocorrência temendo retaliações ou atitudes culpabilizadoras oriundas de pessoas que façam parte do círculo familiar ou de amigos. 

Com isso, elas se tornam mais fragilizadas pois uma suposta zona de proteção/segurança não está presente nestes momentos. Não será incomum que muitos encarem esta denúncia com desdém pois afinal ela precisa cumprir com suas obrigações de parceira/esposa. Ou ainda uma outra fala: você não está com outro não é mesmo???


Diante de tudo o que eu falei, a ideia de consentimento real é que vai definir a violência sexual. E por ser algo que violenta o que há, digamos, de mais íntimo, as consequências psíquicas e físicas são: angústia, medo, ansiedade, culpa, vergonha, depressão, reações somáticas, contágio com DSTs, problemas ginecológicos, dentre outros. Muitas costumam desenvolver transtorno de estresse pós-traumático e normalmente, os agressores podem fazer uso de facas ou armas de fogo para forçar a relação sexual caso a vítima resista.

Ainda como consequência psicológica desta violência, muitas vítimas deste tipo de violência costumam desenvolver algumas reações tais como: negação, dissociação e autoacusação. Na negação, a mulher não crê no acontecido, nega e busca explicações para o comportamento do agressor. Na dissociação, a mulher se afasta mentalmente do que está acontecendo para que sua capacidade de resposta à agressão seja bloqueada ou diminuída.

 Já na autoacusação, muitas se culpam pelo que está acontecendo e por isso, não costumam procurar assistência jurídica, realizar denúncias ou ir em busca de apoio de familiares ou amigos com receio de que eles a culpem da mesma maneira que ela se culpa. Após a violência sexual, muitas mulheres tendem a ficar muito irritadiças por não terem se empenhado na própria defesa.

Além de tudo isto que foi posto aqui, muitas não querem realizar as denúncias seja pela fragilidade do seu estado psíquico ou não acreditam na efetividade da justiça e no tratamento adequado por parte dos profissionais de saúde.


 Mesmo com os recursos legais, jurídicas e de saúde pública disponíveis para as vítimas de violência sexual, infelizmente, muitos agressores não são punidos e a revitimização é frequente.


Mas e agora??O que faço?

A ajuda psicoterapêutica é fundamental tanto para fortalecimento emocional da vítima como tratamento das consequências psicológicas oriundas da agressão. E mesmo com a realidade de um judiciário moroso e uma assistência duvidosa, não deixe de exercer seus direitos!


Este foi o meu bate-papo! Gostou? Não? Ficarei muito feliz em saber sua opinião! É só deixar aqui logo abaixo seus comentários!
Até a próxima!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

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