Dormindo com o inimigo: Quem é o perverso em um relacionamento?

11 outubro, 2016

Dormindo com o inimigo: Quem é o perverso em um relacionamento?

Você já sentiu mal por algo que seu (sua) companheiro (a) disse ou fez, mas não sabe o que identifica de forma precisa o que te incomodou ou afetou? Seu (sua) parceiro (a) não discute, não diz palavras rudes e nem aumenta o tom de voz, mas tem uma maneira de conduzir os conflitos que te deixa culpado (a) ou, no mínimo, com uma sensação estranha de mal-estar? Ou ele (ela) tenta de alguma maneira de desestabilizar nas situações em que a responsabilidade pelo que aconteceu não é sua?

Então, você está diante de uma violência muito, mas muito específica: a violência perversa!

Mas o que é isto? Este termo foi muito bem discutido e estudado por Marie-France Hirigoyen em seu livro Assédio Moral: A violência perversa no cotidiano. Este tipo de agressão normalmente se instala nos casais quando a parte afetiva falha ou na presença de excessiva proximidade entre os pares.

 Este excesso de proximidade é gerador de medo e assim um indivíduo narcisista (os o que é isso? Narcisista? É uma pessoa que, digamos, o mundo só se resume a ela, ela e ela) para impor seu domínio naquela relação e evitar que o outro muito próximo invada o seu “precioso mundinho”. 

Assim para ter certeza de sua onipotência naquela relação, vai buscar ter uma relação de dependência e controle sob o (a) parceiro (a). E disto tudo que vem aquela sensação permanente de dúvida, culpa e paralisia.

Assim, o indivíduo narcisista mantém a pessoa dentro de limites que são seguros para si. No entanto, quem relaciona com esta pessoa, está em uma posição indefinida e incerta. Ao mesmo tempo, o narcisista perverso tenta fazer com que pessoa permaneça, mesmo que frustrada, e dificulta o pensamento do (a) parceiro (a) para que ele (ela) não tome consciência do que está acontecendo.



Complicado não é mesmo??


Se eu fosse fazer uma comparação entre o mundo animal e uma relação com um narcisista, diria que o narcisista perverso é a aranha e o (a) parceiro (a) é a presa. Quando está presa é enredada em sua teia, ela fica ali presa, paralisada e distante da aranha que, aos poucos, vai minando a vida da presa. No caso da relação, o ataque é contra o mundo psíquico/autonomia do parceiro (a).

Neste ponto, a violência perversa vai aflorar em momentos de crise. Neste momento que tem este tipo de defesa narcisista perversa, não assume a responsabilidade pelas dificuldades/fracasso da relação e projeta tudo isso para o (a) parceiro (a). Este tipo de agressão também se torna mais forte quando os parceiros têm uma idealização/ideal daquele relacionamento e quando surge uma crise ou rompimento.

Neste tipo de situação, o (a) parceiro (a) será inteiramente responsabilizada pelo que está acontecendo e neste contexto, mesmo que o perverso tenha ações claramente culpabilizadoras, ele (ela) negará veementemente o que faz.

As mentiras, os subentendidos e outros tipos de manobras perversas são as mais ações mais costumeiras que um perverso lança mão dentro de um relacionamento. O objetivo é fazer com que o outro fique desestabilizado e duvide das suas próprias percepções.

Quando a vítima toma consciência do que está acontecendo, ela é tomada por uma intensa sensação de angústia por que simplesmente NÃO conseguem se libertar do parceiro (a). Com isso além de sentir raiva, vivencia intensamente a vergonha pelas humilhações, pelo que suportou para manter o relacionamento e por não ter sido amada (amado).


Quando a separação/ rompimento da relação acontece, aquele movimento perverso até então escondido/subjacente, ele se acentua por que ele (ela) sente que a presa está saindo do seu controle (da sua teia).



E pode ser este movimento violento não termine principalmente quando existem os filhos. O (a) perverso (a) irá fazer uso deles para atingir o (a) ex-parceiro (a). Não é incomum desta maneira que os divórcios dos perversos sejam violentos ou mesmo litigiosos.

Uma prática que costuma ser empregado por estes indivíduos é a perseguição sistemática ou Stalking. Inconformados por ter perdido sua presa, eles (elas) tentam invadir a vida dos seus ex-amantes ou ex-parceiros de alguma forma.

Com isso, enviam mensagens sistematicamente com palavras de ameaças, sejam diretas ou indiretas, estão sempre presentes nos locais que a vítima costuma frequentar ou realizam outros atos que fazem lembrar aos seus ex-amantes ou ex-parceiros que ele (ela) está por ali e não a esqueceu.



Mas e agora? O que eu faço???



Não tenha dúvidas daquilo que você está sentindo. Você não MERECE O QUE ESTÁ VIVENDO E TENHA CERTEZA DE QUE A CULPA NÃO É SUA.

Se você tem dificuldades em se libertar deste tipo de relação, procure ajuda psicológica. E caso esteja sendo perseguido (a), procure assistência jurídica ou emita um boletim de ocorrência.

Isto é muito sériooo!! Infelizmente temos conhecimento da quantidade de homicídios causados principalmente por homens que não aceitam o fim do relacionamento. NÃO TENHA DÚVIDAS EM DENUNCIAR! EXERCA SEU DIREITO!


É isso! Espero que tenha ajudado!

Um comentário

  1. Obrigada pela leitura esclarecedora e sensível, diante de um assunto tão delicado que acomete a muitas mulheres.

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