Mulheres, o lar e as empregadas: uma relação marcada pelo machismo.

17 novembro, 2016

Mulheres, o lar e as empregadas: uma relação marcada pelo machismo.

Olá cara leitora e caro leitor! Hoje venho falar com você sobre algo que me chama bastante atenção nas classes mais abastadas da nossa sociedade: a presença maciça de babás e empregadas domésticas nestas famílias principalmente quando há crianças. 

E aí disparo uma série de questionamentos: por que muitas destas famílias necessitam de empregadas e babás? O que realmente acontece dentro daquela família que os serviços de casa e/ou os cuidados com os filhos não podem ser exercidos pelos adultos daquela família? Para ser mais específica na questão: que pilares conservadores, machistas e até racistas este quadro descrito sustenta? Vem comigo por que tenho muita coisa para te contar sobre este assunto.

Para começo de conversa, saibam que as empregadas domésticas, babás e outras mulheres que prestam serviços domésticos são um dos pilares que alicerçam o machismo no lar. Isto porque, dentro da lógica machista, as mulheres têm o dever, a obrigação e, quem sabe, até o dom natural de servir os homens. 




Graças a elas, os homens têm à sua disposição uma mulher, normalmente pobre, negra e, em muitos casos, menores de idade, para atendê-los de maneira permanente e a qualquer momento. Mas espere: onde estão as mães, esposas e companheiras dentro desta lógica machista no lar?

Aí é que entra a questão!!!Aquelas mulheres, sejam mães ou não, que adentraram ao mercado de trabalho ainda não conseguiram ( espero sinceramente que um dia consiga) se livrar da responsabilidade total e irrestrita do cuidado relacionado à casa: limpeza, organização, preparo das refeições e por aí vai. 

Como sabemos que esta mulher é consumida por uma grande sobrecarga de trabalho e/ou uma alta jornada do mesmo seja para conseguir ter a mesma remuneração do seu colega de trabalho, seja para provar e demonstrar que têm competência suficiente, os dois ou qualquer outra desigualdade de gênero no trabalho que ela precisa superar, então, será de suma importância ter uma empregada e/ou babá em casa para atender o senhor machista em casa.

Será de inteira responsabilidade e obrigação da mulher administrar, atribuir e fiscalizar as atividades exercidas pelas babás, empregadas e qualquer outra pessoa que venha prestar serviços do lar. Nesta lógica, caberá somente ao homem realizar o pagamento. Ele não quer se envolver muito nestas questões de mulher!!!

Mas você pode perguntar: vejo uma quantidade cada vez maior de homens que AJUDAM suas mulheres em casa? Será que este cenário não está mudando? Bom, vou desconstruir alguns pontos: AJUDAR não é sinônimo de igualdade de condições na divisão de tarefas seja em sua complexidade e/ou quantidade ( ou não diga se esta AJUDA não é uma das tarefas a seguir: colocar o lixo na calçada, colocar águas nas plantas ou realizar poucas e pequenas tarefas em casa).

Outra pergunta: quem disse que a mulher está a passos cada vez mais largos de alcançar esta igualdade de condições enquanto isto for classificado como AJUDA??Lembremos que ajuda, por si só, é algo que você faz sem OBRIGAÇÃO e quando QUISER. 

Por aí já dá para tirar algumas conclusões tais como certa essencialização e naturalização destes dons femininos não é mesmo?Infelizmente nada mudou muito da época das nossos vovozinhas até hoje. Os discursos ficaram mais bonitinhos para cobrir ou amenizar algo que toda mulher trabalhadora sente!



Mas voltando para a linha principal do texto. Agora você pode perguntar: e aquelas mulheres que não trabalham mas têm um exército de funcionários ao seu dispor? Vamos lá: antes mais nada, quero deixar algo bem claro aqui: todas as mulheres, sejam aquelas que estão no mercado de trabalho ou não, merecem ser RESPEITADAS. 

Devemos combater firmemente todo e qualquer tipo de discriminação contra as donas de casa independente da classe social que ela pertença. Tenhamos sororidade! Sou totalmente contra qualquer alcunha de dondoca, burguesa, riquinha, nada-faz ou outros adjetivos que tentam impor para estas mulheres pois, estaremos fortalecendo um discurso de produtividade do capitalismo que trata como escória humana quem está fora do seu jogo e ,principalmente, do machismo que desvaloriza permamentemente esta posição ocupada por algumas mulheres.

De qualquer forma, teremos uma mulher que coordena um exército grande ou pequeno de pessoas para que tudo esteja em ordem, limpo e à disposição do grande senhor. E isto não se resume somente a casa. Ela também deve estar em ordem, em forma, linda e à disposição do homem da casa. Já deu para perceber que as coisas não são tão, digamos, fáceis para esta mulher?




 Claro que ela vai desfrutar das benesses e privilégios de acesso a bens e serviços que suas empregadas, muito possivelmente, não vão desfrutar em suas vidas. Mas, meu caro leitor e cara leitora, tudo isto tem um preço! Para que o cenário traçado acima fique mais claro e emblemático, mesmo que seja de algo mais extremo, vamos lembrar da violência doméstica que uma famosa atriz sofreu este ano pelo seu marido bilionário. Lembram?

O que eu estou tentando passar para você é que a condição de ser mulher, independente da sua condição econômica, vai impor uma série de limitações, barganhas, desvalorizações e outros sofrimentos objetivos e subjetivos. Cada uma de sua maneira. Evidentemente que ser mulher, pobre e negra potencializa todo tipo de desigualdade!!

Para finalizar o texto, vou jogar mais farinha neste angu: acredito que você já ouviu reclamações, chateações e queixas destas mulheres de classe média ou abastadas a respeito de suas empregadas ou babás não é mesmo??O que acontece?Muita calma nesta hora. 

De um lado, temos mulheres que exercem com o máximo de esmero as questões de limpeza, ordem e  disciplina no cuidado de casa. Para muitas, a casa é uma extensão da sua personalidade, moral e até respeitabilidade perante familiares e outros círculos que pertençam. Assim, ter a casa limpa e organizada é como um certificado de mulher cuidadosa e respeitada. 

Por sua vez, temos mulheres pobres e negras que não são percebidas por este sistema “belo, em ordem e do lar” como representativas disto pelas mulheres que a contratam não é mesmo? Então, por mais que elas realizem seus serviços com cuidado e asseio, muitas de suas patroas não vão estar satisfeitas com o que elas fizeram. Sempre faltam algo!

Mas, mas.. estas mesmas empregadas estão mergulhadas na mesma lógica machista do lar daquelas patroas. Assim, a palavra do grande senhor daquele lar terá mais autoridade que a sua patroa. Então não é nenhuma reclamação sem fundamento quando algumas destas mulheres falam que suas empregadas respeitam mais os seus maridos. 

Só que entenda algo: não é por maldade ou malícia como muitas destas mulheres alegam. Simplesmente quem deve ser respeitado e até temido é o homem naquela casa. Por isso que este cabo de guerra acontece!

Então o resumo da ópera é: ter a disposição pessoas direcionadas para o realização de atividades domésticas só alicerça cada vez mais costumes e valores machistas. Então vamos desempregar milhares de empregadas e babás com carteira assinada caso isso acabe não é mesmo?

 Bom a análise não é bem imediata. Vamos voltar atrás um pouco: o que é faz com que estas mulheres pobres procurem este tipo de trabalho? É falta de escolaridade suficiente para ser candidata a outra atividade não é mesmo? Além disso, é bom recordar que o nosso mercado de trabalho é mui amigo(para não falar o contrário) na seleção e contratação de mulheres pobres, com filhos e negras não é mesmo?

Este texto foi mais longo que os demais mas sempre com o mesmo propósito: desconstruir, desnaturalizar e ser um gota no oceano na busca de uma vida mais justa e menos violenta para todas as mulheres!

Fiquem em paz! Até a próxima!


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