Por que muitas mulheres sentem que estão falando com a parede ao conversar com os seus parceiros?Sobre isto e muito mais!

10 novembro, 2016

Por que muitas mulheres sentem que estão falando com a parede ao conversar com os seus parceiros?Sobre isto e muito mais!

Olá!!. Minhas caras leitoras e caros leitores, quem nunca conheceu uma mulher que, ao ser convidada para algum evento formal ou informal, disparou a seguinte frase: “Não posso sair à noite porque meu marido não gosta que eu chegue tarde.

Ou mesmo uma conhecida ou você mesmo (quem sabe!), tenta expor sua insatisfação sobre determinado assunto para o seu parceiro e ele, por sua vez, fala bonito, pede desculpas, diz que vai mudar e continua do mesmo jeitinho! Ou ainda uma versão pior: “o homem Gabriela”: eu nasci assim, cresci assim e vou ser sempre assim. Se você não está satisfeita, você tem que mudar.

Todo este contexto fictício com um bocado de realidade é comandado por algo que é praticado tanto por homens como por mulheres: o machismo. É sobre isto que venho conversar com você. Então, venha comigo em mais uma jornada recheada de veracidade e com pitadinhas de polêmica.

No jogo machista, a dupla moral é a bola da vez. Ela se expressa quando as regras do jogo são diferentes para meninos e meninas e ela atinge quase todas as áreas da vida. Assim, surgem normas distintas que se expressam na proibição às mulheres de determinadas condutas que são perfeitamente acessíveis aos homens. Ou mesmo, considerar que homens e mulheres têm aptidões diferentes.



Uma das versões mais conhecidas é o poder de proibição naturalmente atribuída ao homem. Algumas mulheres acreditam que estas proibições são provas de amor e cuidado. Mas, na realidade, trata-se de um ato de exercício do autoritarismo masculino. A situação inversa é quase impossível de acontecer.

As mulheres não conseguem impor a sua vontade. Para que elas consigam algo, muitas precisam pedir, utilizar de subterfúgios e outras maneiras mais brandas para dobrar o machista de plantão. Quando elas tentam fazer algo que contrarie a autoridade masculina, no mínimo, serão castigadas como crianças.

Digamos que este é a versão mais light pois, sabemos que muitos homens fazem uso do poder de proibir para agredir sua parceira de forma física ou psicológica.

Uma outra versão dos discursos duplos do machismo é a falsa negociação. Ela ocorre quando o homem aparenta (somente isso: aparenta) estar disposto a falar, negociar e realizar concessões, mas, no fundo, ela não tem intenção de mudar um centímetro.



Digamos que este é o machista camuflado. Como ser intransigente não é muito bem visto, então, é interessante aparentar uma atitude flexível, democrática e conciliadora. E a moral dupla aparece da seguinte maneira: ela quer negociar, por necessidade, ele, para manter as aparências de flexível e democrática.

Outro tipo de falsa negociação é quando os homens aquele pronunciamento clássico à la Gabriela: “É que eu sou assim”. Nestes discursos, fica implícito que ele até aceita conversar, mas tudo passa de uma negociação falsa. Ele não quer mudar nada em si ou mesmo fazer concessões.

Normalmente ele diz que o problema é da parceira e quem precisa mudar é ela para que possa conviver com o “senhor gabrielês”. E dentro desta situação, a mulher ocupa uma posição desfavorável e frágil porque ela pensa estar em um verdadeiro diálogo, faz uso de todos os esforços para defender sua posição e chegar em um consenso. Mas, na realidade, ela está falando com a parede literalmente!

Um outro discurso ou prática muito conhecido do mundo machista é a dispensa completa e irrestrita para o homem de pedir desculpas. Umas piores prerrogativas do machista de plantão na vida pública e privada é a sua incapacidade de reconhecer seus erros e limitações e com isso, pedir perdão/desculpas a quem quer seja.

 Pedir desculpas é sinônimo de ser imperfeito. Para quem detém o poder na relação de forma autoritária e não-consensual, como no machismo, ser imperfeito é expressamente proibido. Tal regra também pode ser encontrada quando muitos homens recusam qualquer crítica.

 E deste ponto em diante, as consequências são inúmeras: como seres infalíveis em casa, nunca escutarão sequer o que as mulheres falam; se ele é ser um acima de tudo e de todos então: ele nunca mente; os mentirosos são os outros. Ele nunca erra; quem erra são os outros. Ele sabe absolutamente tudo sobre qualquer assunto; os estúpidos são os outros.



Eu sou rei rodeado de tolos e, principalmente, de tolas. Triste e patética realidade que o machismo nos presenteia!

Estou chegando ao final do texto deixando um esclarecimento que o machismo não é algo de uso único e irrestrito dos homens. Ele atinge a todos e todas! Quantas mulheres não insistem em incutir o poder autoritário e inflexível em seus filhos e a docilidade e submissão em suas filhas? Que fachada mais representativa sobre o disciplinamento do corpo feminino e a perpetuação da dupla moral machista do que a chamada Escola de Princesas, empreendimento comandado por mulheres?

O que eu quero dizer é que não estou lançando uma bandeira de combate contra os homens. Muito pelo contrário. Eles sofrem de outras maneiras esta imposição do discurso machista. Precisamos andar lado a lado e de mãos dadas. Se não for assim, nem homens nem mulheres chegarão a lugar algum!

Fique em paz!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


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