Por que ter um corpo bonito não é o fundamental para uma relação amorosa?

10 fevereiro, 2017

Por que ter um corpo bonito não é o fundamental para uma relação amorosa?

Olá meus caros e minhas caras! Estamos no mês de fevereiro em pleno verão, corpos bronzeados na praia, dietas cada vez mais mirabolantes e rápidas, academias lotadas, enfim, uma corrida desenfreada regada a suplementos e pozinhos mágicos que te prometem aquele corpinho sarado e tão cobiçado das capas de revistas.

Mas quem realmente habita este corpo? O que este corpo sarado significa para você? Será que as pessoas realmente vão gostar mais de você se a sua forma física for X e não Y? Aliás o que este corpo fora do padrão é tão rejeitado e discriminado? E por fim será que seus relacionamentos amorosos serão mais interessantes se tudo estiver em cima?

Estamos imersos em uma sociedade disciplinar e cada vez mais em busca de um sucesso pessoal, da eficiência e da produtividade. Nesta área não pode entrar um corpo gordo, flácido e velho por que traz a representação da indisciplina, do feio, da falta de “força de vontade” e da ineficiência. E como, nós mulheres (sim estou me incluindo), somos cobradas e absorvemos este padrão de comportamento principalmente no cuidado com a forma física. 




Tememos a rejeição, a indiferença, o olhar recriminador, a humilhação e todo tipo de expressão que remeta a algo que pode ser resumido na seguinte frase: “VOCÊ NÃO ESTÁ ANDANDO NA LINHA! PRECISA EMAGRECER! “Assim, precisamos ceder literalmente partes de nós para que os dispositivos e tecnologias de disciplinamento do corpo imperem dentro de nós e, quem sabe, um dia, alcancemos um suposto bem-estar subjetivo e uma diminuição dos conflitos na relação com o próprio corpo.
Então pelo que eu trouxe até agora, estamos paralisadas (os) e esculpidos por uma onda vasta e gigante do que deve ser ou não deve ser o seu corpo. Para balizar todo este aparato disciplinar, são produzidos dezenas e dezenas de estudos que comprovam o “mal da gordura”. Isto mesmo no sentido bem maléfico. Não estou aqui pondo em xeque a produção científica elaborada sobre o assunto. Mas chamando a atenção para o papel de vilão ocupado pela gordura no imaginário social.



Agora você imagine quando estas cobranças por um corpo perfeito estão dentro de um relacionamento íntimo. Não é incomum que, além da autocobrança por parte das mulheres, alguns companheiros vigiem as proporções físicas do corpo de sua parceira. Infelizmente, muitas fazem uso de piadinhas, críticas, humilhações e até de jogos mentais para fazer com que o corpo de sua companheira seja da maneira desejada por ele. Como se fosse um objeto a ser exibido e apreciado por ele e para outras pessoas.

Pelo que estou dizendo até aqui, já deu para perceber que este tipo de relacionamento não permite que você seja você mesma. Não há uma liberdade de ser e ter o corpo da maneira que você deseja. E neste quesito, chamo atenção para as renúncias que muitas mulheres fazem não só para atender e alcançar o corpo perfeito para agradar o companheiro como também deixando de lado QUEM ELA REALMENTE É para manter uma relação.

E nesta altura do texto, venho te questionar: será que vale a pena manter um relacionamento com uma pessoa com exigências X, Y ou Z sobre sua forma de ser ou sobre o seu corpo? E se caso isto já está acontecendo, questiono: qual é a finalidade deste tipo de renúncia? Onde está você nesta relação?

Mas, mas...algo precisa ser lembrado: muitas mulheres cultuam uma forma física perfeita, pois acreditam que isto é um pré-requisito fundamental para atrair um parceiro. No início, a atração física pode tornar a relação muito envolvente. Porém somente isto não será o suficiente para manter um relacionamento sólido. Uma relação é feita de outros ingredientes que são adicionados pela maneira de ser de cada um, pelo companheirismo, pela amizade e, principalmente, pela liberdade em deixar cada um ser da maneira que é.



Um relacionamento se sustenta pela conexão verdadeira, pela compreensão, pela partilha de sorrisos, alegrias, interesses e até momentos difíceis, pela cooperação, pelo respeito ao posicionamento E a maneira de ser do outro, enfim, por tudo aquilo que faz com que a troca estabelecida ali não sufoque, não ignore, não desdenhe e nem destrua as partes.

O que realmente gostaria de chamar a atenção é que o seu corpo ou o do outro NÃO É o fundamento de uma relação. Lembre-se que ele é perecível, envelhece, ganha outros contornos e nem sempre será jovem e em forma. Há pontos mais sólidos que realmente mantém e sustentam um relacionamento.
Este foi o meu recado de hoje. Espero que tenha ajudado!

Grande Abraço!

Até mais!
Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460



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