O que todas as pessoas deveriam conhecer sobre relacionamentos violentos.

27 março, 2017

O que todas as pessoas deveriam conhecer sobre relacionamentos violentos.

Olá! Olá! Meus caros leitores e leitoras! Para fechar os textos alusivos ao dia Internacional da Mulher, hoje venho falar sobre relacionamentos violentos. Não irei trazer necessariamente as características deste tipo de relação mas apresentar determinados discursos que são comuns na fala das vítimas.

Muitas pessoas ficam indignadas, consternadas e até mesmo intolerantes com aquelas mulheres vítimas de violência que costumam ir e voltar para estes relacionamentos. Não entendem como uma pessoa constantemente violentada pelo parceiro não coloca um ponto final na relação. Afinal será mesmo que existem mulheres que gostam de apanhar?

Será que estas mulheres não enxergam o tipo de relacionamento em que está envolvida? Será que ela o ama tanto a ponto de se submeter a violência física ou violência psicológica? Será que ela não consegue enxergar o parceiro violento com quem está se relacionando? Afinal o que se passa?

Por isso, trago aqui pontos muito comuns na fala da vítima, dos amigos ou de outras pessoas que convivem ou tem conhecimento desta relação.



  1. A esperança

Muitas mulheres/homens alimentam a esperança de uma mudança gradual e espontânea por parte do parceiro. Acreditam que, através da paciência e da boa vontade, vão conseguir a mudança tão desejada no comportamento violento do parceiro. E assim costumam ir e voltar para este relacionamento sempre na esperança da transformação do parceiro.

E isto se torna mais grave quando sabemos que a violência é cíclica e em uma destas fases, o parceiro realmente vai se mostrar mais terno, carinhoso e gentil. Mas isto é só uma fase que precede a violência.

Abaixo coloco as fases da violência para que possamos relembrar como a vítima pode alimentar a esperança devido ao comportamento do parceiro em uma destas fases:

Fase de tensão: período em que a violência não se manifesta de maneira direta mas através da linguagem não-verbal como mímicas, gestos e movimentos agressivos e pelas mudanças nos tons de voz. A vítima empreende um esforço para evitar o ato violento mas, com o passar do tempo, o controle enfraquece e a fase da agressão se aproxima.

Fase de agressão: é o momento em que o agressor (a) grita, insulta, ameaça, quebrar objetos e, por fim, agride fisicamente a pessoa através de empurrões, tapas, socos, braços torcidos e, nas relações conjugais, normalmente os homens costumam forçar uma relação sexual.
Ocorre uma explosão de atos de violência e a vítima se sente impotente e triste.

Fase de desculpas: Esta é a fase em que o agressor (a) apresenta comportamentos que buscam anular ou minimizar os efeitos dos atos de violência anterior. O agressor (a) tenta justificar seu comportamento violento através de motivos externos. Muitas vezes as vítimas acreditam nas desculpas, arrependimentos, juras de amor e promessas de mudança. O objetivo deste momento para a pessoa que agride é fazer com que a vítima esqueça a raiva e ponha a culpa em outras fontes de irritação ou mesmo na vítima.

Fase de reconciliação: Esta é famosa fase de "lua-de-mel". O (a) agressor (a) costuma oferecer atenção, gentileza, cooperação, cordialidade e, em muitos casos, presenteia a vítima. Nas relações conjugais, este período o (a) agressor (a) está sendo sincero pois tem medo de ser abandonado (a). A vítima recupera a esperança e acredita na mudança de comportamento do (a) agressor (a). No entanto, o ciclo da violência pode ser reiniciado a qualquer momento.

2.         2.O amor

Muitas mulheres estão vinculadas ao relacionamento violento pelo amor. Mas neste contexto acreditam que o sofrimento causado pela violência física e psicológica é inerente a qualquer relacionamento.

Também existem mulheres em relacionamentos violentos que ficam fixadas em uma imagem idealizada do parceiro e não conseguem se desvencilhar da relação pois não conseguem “enxergar” quem é realmente este parceiro.

E por falar em amor, cabe lembrar que este sentimento está muito relacionado a posse, controle e propriedade sobre o (a) parceiro (a) nas relações. Mas o amor está muito mais relacionado a liberdade, desenvolvimento e crescimento da pessoa amada.

O que estou querendo dizer é que quando uma relação é baseada nos termos citados, ambos crescem, evoluem e conseguem ter uma vida INDEPENDENTE do outro.

Então será que é amor mesmo?



3.             3.O medo

Esta emoção está presente nos relacionamentos violentos. É quando a mulher tenta adequar seu comportamento, gestos e sentimentos para que o parceiro não reaja violentamente. Ou mesmo esta aflição faz com que estas mulheres nada façam para sair desta relação violenta.

Há também um temor pela perda do “amor do parceiro” ou pelo que ele pode fazer com ela. E isto se torna mais evidente, quanto maior for a sensação de desamparo desta mulher. Assim, devido ao desamparo e ao medo associado, muitas permanecem.

4.                 4.A culpa

Pois é. Muitas mulheres acreditam que existem algo em si provocando a violência no parceiro. Neste sentido, muitas estão em busca de algo em sua personalidade ou no corpo que sejam “provocadores” desta reação violenta no parceiro. Dentro deste processo, a vítima costuma internaliza este sentimento.



5.                5.A dependência emocional/financeira

Existem mulheres em relacionamentos violentos que se sentem desamparadas e dependentes pois foi esta mensagem recebida em alguma fase da sua vida sobre o que é ser mulher. Além disso, algumas não trabalham ou mesmo que trabalhem, sentem-se dependentes daquele parceiro emocionalmente.

Com isso, elas investem em qualquer relacionamento, mesmo que sejam violentos, para vivam “amparadas” por um homem e com isso, eles detêm todo o poder dentro de uma relação e assim, sentem-se autorizados a bater, empurrar, desqualificar e por aí vai.

Estas são as principais causas que prendem muitas mulheres a relacionamentos violentos. Com isso, não existem mulheres que gostam de apanhar. Existem mulheres sozinhas, desamparadas e subjugadas ao escrutínio social que desconhecem as amarras invisíveis desta relação.

Se você conhece alguém nesta relação, repasse este texto. Sinceramente espero que ajude!

Até a próxima!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

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