2016

30 dezembro, 2016

Uma carta para você em 2017 e...outra para 2016 (também)!

Olá leitores! Hoje o texto é bem diferente! Vamos falar de final de ano?

Hoje é 30 de dezembro de 2016. Mais um dia, mais um mês, mais um ano que passa e mais uma vez estamos no clima de espera por um ano melhor…Mas me diga uma coisa: quem era você no ano passado e quem é você hoje? O que mudou? Quais lições você aprendeu neste ano que se encerra? O que você ainda tenta entender? Quais emoções que você mais sentiu?

Faço esta série de questionamentos para que você se perceba que nada será novo se a mudança também não for interna. Não estou querendo dizer que as mudanças na vida são oriundas estritamente da sua força de vontade ou decisão. Existem uma quantidade de fatores externos que podem dificultar e até impedir algumas realizações em sua vida. Mas se você pretende ter um 2017 melhor e novo, mesmo com todos os obstáculos de caráter externo, quem vai construir é você.



Sei que pode até parecer clichê o que estou escrevendo até aqui. No entanto, a passagem de 31 de dezembro de 2016 para 01 de janeiro de 2017 será mais uma virada no calendário e sua vida vai continuar do mesmo jeitinho, principalmente aquilo que te incomoda, se você não tiver o carinho e o cuidado consigo.

Não é um simples narcisismo, egoísmo, vaidade.. está mais vinculado a um crescimento pessoal e emocional. E será isto que fará com que cada ano você tenha uma vida melhor e mais renovada.
Eu escrevi todo este blá-blá-blá para propor um exercício muito simples e prático que vai precisar somente de um lápis e  duas folhas de papel. “Já sei você vai pedir para que façamos nosso planejamento anual, de metas...”Não é bem isso!

Vou pedir para que você escreva uma carta para esta Maria, José, Ana....que você foi em 2016 e escreva outra para esta Maria, José, Ana.. que você nem sabe que será em 2017.

Mas antes de mais nada, faça isto de forma presente, ou seja, olhe e sinta seu momento atual. Veja o que você aprendeu, que esta pessoa de 2016 te trouxe de bonito e imaterial para sua vida, quem entrou e quem saiu da sua vida, enfim, tudo aquilo que te trouxe uma reflexão ou quem sabe um novo propósito de vida.



Com isso, o que eu quero propor para esta carta para você em 2016 não é uma carta de cobrança, lamúrias, chateações...Você não é nenhum SERASA não é mesmo? Sugiro que você olhe para aquilo que “não deu certo” com uma nova perspectiva. Quem sabe agora, você não perceba o que aquele fato/pessoa quis te trazer como forma de crescimento pessoal para você.

Esta carta é um meio de te mostrar de maneira concreta quem foi esta pessoa em 2016 e até fechar o que “ficou pendente” no ano está chegando ao fim. E se possível, guarde e deixe esta parte da história da sua vida registrada em um papel. Quem sabe um dia, você pode rir ou ter uma surpresa ao reler esta carta.

Depois de feita a carta para você em 2016, agora chegou a vez de escrever para você em 2017.Para que você sinta o propósito desta atividade, escreva para você em 2017 como se fosse para uma nova pessoa que você gostaria de conhecer em 2017. Aconselho que ela não seja a perfeição.




Mas seja aquela que você gostaria de ter ao lado nos momentos difíceis, para comemorar as conquistas, para te abraçar e, principalmente, que ame você do jeitinho que você é.

Entendeu agora a brincadeira não é mesmo? Esta carta para 2017 precisa conter um kit de ferramentas composto por autoestima, perdão, menos cobrança e mais respeito por si mesmo. E as outras pessoas como ficam nesta carta? Pessoas? Elas são importantes em nossas vidas e até podem estar nesta carta. Mas não esqueça que o principal destinatário desta carta é você mesmo!

Então, depois de feita a carta, peço com você guarde com muito carinho. Se quiser pode deixá-la em um local de fácil alcance para reler quando quiser. Mas o principal será realizar esta leitura nesta mesma data em 2017. E quando lê o que você escreveu não faça com um olhar de autocrítica e cobranças. Mas com um senso de respeito e perdão por aquilo que você não conseguiu ser e com um senso de profunda gratidão por aquilo que você conseguiu.

Quem sabe se você não fizer isto todos os anos, você perceberá as repetições, as mudanças, as pessoas, enfim, a dança da vida e a música que você permite entrar em sua existência.

Por fim, desejo que você seja vida em movimento, que sinta, admire, respire e inspire, contemple, sorria, chore, agregue e viva o que tiver de ser vivido! Feliz 2017!
Até mais!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

16 dezembro, 2016

Como posso reagir a violência em um relacionamento?

Olá leitor! Tenho falado muito sobre violência, as condições sociais e econômicas que muitas mulheres enfrentam em seu cotidiano, feminicídio..., mas uma pergunta paira no ar: o que cada mulher pode fazer para enfrentar estas questões? Será que não existem alternativas que possam sobrepor esta realidade tão triste?

Ah tem sim! Fica comigo que vou esmiuçar alguns pontos que toda mulher precisa ter consigo seja dentro de um relacionamento amoroso ou em qualquer outra área da sua vida.




Em um livro denominado “ Como enfrentar à violência verbal” de autoria de Patrícia Evans, podemos encontrar uma lista que constituem os direitos básicos de qualquer relacionamento:

1.      O direito à aceitação por parte do outro
2.      O direito ao apoio emocional
3.      O direito de ser ouvida pelo outro e de ser correspondida com educação
4.      O direito de ter a sua própria opinião, mesmo que a do seu companheiro seja diferente
5.      O direito de ter sua experiência e seus sentimentos reconhecidos como verdadeiros
6.      O direito de receber o pedido de desculpas em virtude de quaisquer brincadeiras ofensivas
7.      O direito de viver livre de acusações e culpas
8.      O direito de viver livre de críticas e julgamentos
9.      O direito de ser encorajada
1.  O direito a viver livre de ameaças emocionais e físicas
1.  O direito de viver livre de acessos de raiva e fúria
1.  O direito de não ser xingada nem desvalorizada
1.  O direito de ser respeitosamente consultada e de não receber ordens

Você não tem o dever de aceitar o comportamento abusivo de alguém. Eu sei que posso estar pontuando algo que possa ser uma realidade distante para muitas mulheres. Mas se você consegue enxergar que seu relacionamento não é saudável de alguma forma, parabéns! Você já deu o primeiro passo!

Coloca aqui uma lista de direitos para quem a autoestima está sendo golpeada, pode ser colocar o carro na frente dos bois. Mas para falar a verdade, esta lista serve para te alertar sobre uma série de prerrogativas que são suas sim, mas que, de alguma maneira, eles foram sendo surrupiados pelos abusos de uma relação violenta.

Sei que, normalmente, as vítimas de relacionamentos abusivos carregam a culpa/responsabilização pela maneira como a relação se encontra. E isto é natural por que o desenrolar deste tipo de relacionamento é caracterizada pela internalização da culpa.




 Livra-se dela não vai ser um processo rápido. No entanto, quando você já enxerga a situação, possivelmente, sua próxima intenção será estabelecer limites. Neste momento, você vai acreditar de forma segura e confiável em suas percepções e sentimentos. Recuperar a confiança em suas emoções é fundamental. Você vai estar se apropriando de algo que você alienou para o parceiro.

Outro ponto a ser destacado é que você vai perceber que a pessoa não está agindo de maneira adulta e racional. Isso mesmo: o agressor está sendo infantil. Então, para que ele entenda sua insatisfação com este tipo de abuso, é necessário que você reaja como adulta que você é! 

Assim, fale num tom de autoridade e firmeza demonstrando sua seriedade na fala e que não vai aceitar mais o abuso.

Outra reação é se distanciar do agressor para que ele entenda o quanto ele está sendo imaturo. Pode ser que você pense: eu provoquei isto! Aconteceu tal ou qual coisa por que eu...! Perceba, antes de mais nada, que não é saudável viver em um relacionamento abusivo. Além disso, os sucessivos abusos trazem consequências nefastas para a sua vida.

Reagindo, você terá controle sua própria vida, poderá decidir por conta própria o que é melhor para si, perceberá que pode fazer mudanças em sua vida, que vale a pena se dedicar para uma vida mais segura, feliz e mais criativa. E acima de tudo que você é um ser humano valioso que merece respeito de qualquer pessoa.


No processo, você até poderá sentir tristeza pela perda de algo que pode ser até da relação em alguns casos mas vai descobrir habilidades e novos horizontes sobre si mesma que estavam esquecidos ou eram até mesmo desconhecidos.

Então, o recado que gostaria de deixar neste texto é que você é capaz de dar a volta por cima. Caso seja muito difícil fazer isso sozinha, procure ajuda. Erguer uma nova etapa da nossa vida requer ajuda para colocar tijolinho por tijolinho. 

A massa pode ser feita por amigos mas se o esforço for grande para você e seus amigos, também procure ajuda de um psicólogo. Ele tem a habilidade técnica mais indicada para deixar esta massa mais forte!


Se você tem sugestões ou críticas, por favor, deixe aqui nos comentários! Estou à disposição!

02 dezembro, 2016

Por que você permanece nesta relação?

Você já se questionou por que muitas mulheres, e homens também, permanecem em relacionamentos que desvalorizam ou mesmo causam prejuízos a sua saúde física e psicológica?

A relação não é necessariamente violenta, mas a troca naquele relacionamento é permeada pelo desenvolvimento de um em detrimento do outro. Um dos membros da relação abdica dos seus sonhos, de sua maneira de ser, do seu círculo familiar, de amigos e profissionais para se dedicar inteiramente aquele relacionamento.

A situação se torna mais grave quando o outro faz uso das renúncias da outra pessoa para exercer o domínio, o controle e a posse dentro daquele relacionamento. Deste ponto para a prática da violência é um simples passo.

Enfim, sendo ou não violenta, por que algumas mulheres fazem inúmeras renúncias, calam-se diante das situações que magoam ou mesmo mudar completamente a sua maneira de ser para agradar ou manter um relacionamento?

11.  A dominação masculina

É ela que constitui os domínios simbólicos sobre a mulher. Isto é representado pelo permanente estado de insegurança física ou psicológica. O seu corpo e a sua maneira de ser devem obedecer e ser receptivo aos ditames do outro. E assim, elas têm a obrigação de serem magras e/ou em forma para ser um objeto receptivo e atraente para o olhar deste outro. 

Também se espera que elas sejam femininas, ou seja, sorridentes, simpáticas, discretas, submissas, contidas e, se possível, invisíveis.


22.A ansiedade diante do olhar do outro

É este olhar que submete, recrimina, causa cerceamento, julga e aprisiona a mulher. A mulher se antecipa aos julgamentos alheios através da contenção e disciplinamento do próprio comportamento para que não sejam alvos do escrutínio público. Para isso, a educação das meninas apresente como uma das características o desenvolvimento de certa preocupação com o outro seja no sentido de cuidar seja para estar atento aos sentimentos e, principalmente, aquilo que desagrada o outro.

Mas o que isto tem a ver com os relacionamentos amorosos? Tem um bocado. Antes de mais nada, ela vai procurar ser a mais feminina possível para ser atraente, receptiva e bem-vista para o parceiro. E isto não fica restrito a esta esfera. Digamos que o julgamento das outras pessoas sobre suas qualidades enquanto mulher/ esposa/namorada/... compõe praticamente uma extensão da personalidade. E aí já dá para sacar o que vai acontecer não é mesmo? Muitas vão estar atentas ao olhar do seu parceiro e do seu círculo de maneira geral para moldar a sua maneira de ser. Será neste contexto que muitas ficam..por que temem o olhar/julgamento do outro.

3   3.“Eu não sei viver sozinha! ”

Quantas mulheres não passam por isso não é mesmo? Algumas mulheres não suportam/sabem/têm medo/ por outros motivos viver sozinhas. E para isso fazem renúncias, “fecham os olhos para algumas situações, suportam o insuportável...tudo isto para não viver sozinha. E não posso esquecer o relacionamento conto de fadas que povoa o imaginário de muitas mulheres e neste ponto, passam de um ideal de pessoa para uma falsa realidade, isto é, inventam para si que está tudo ok na relação para não enxergar que seu belo príncipe encantado é um sapo.

Além dos motivos citados acima, algumas mulheres não conseguem enxergar a si mesmas por que o simples fato de ter somente a própria companhia é um fardo para algumas. Normalmente, existe algo dentro de si que é muito dolorido ou desconfortável de enfrentar...



       4. ”Eu sou incapaz de manter um relacionamento amoroso! ”

  Pois é! Algumas mulheres fazem malabarismos para ficar em um relacionamento por que acreditam que o término dele seria um atestado de incompetência para elas. Este caso é muito encontrado para aqueles que superestimam o valor de um relacionamento amoroso em suas vidas, ou seja, são mulheres que empreendem toda a sua energia para ter uma pessoa ao seu lado. Isto é a prioridade da sua vida!

E assim para não “admitir o seu suposto fracasso” elas se contorcem para manter uma relação de aparências ou de fachada. A situação se agrava se a sua educação foi aquela tradicional voltada para as meninas.

5  5. "Preciso do amor de alguém para viver!"

Esta é uma variante do “Eu não sei viver sozinha!”. Normalmente são pessoas que não conseguem viver sozinhas também, mas que, principalmente, têm baixa autoestima, não conhecem a si mesmas ou, pior, se odeiam. Assim, precisam que este sentimento seja emanado pelo outro ou mesmo que ele a valorize, dê atenção, promova uma suposta autoconfiança, enfim, preencha o vazio interior desta mulher.




Estou chegando ao final deste bate-papo. Este texto foi direcionado para mulheres. Mas o que foi citado até aqui também pode ser aplicado para os homens em alguns aspectos. E você? Identificou-se com alguma situação? Compartilhe aqui nos comentários.
Caso você tenha alguma sugestão, também deixe aqui nos comentários, ok?

Fiquem em paz!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


25 novembro, 2016

Precisamos falar sobre a situação da mulher no mercado de trabalho.

Desvalorização do trabalho da mulher? Imagina, que assunto ultrapassado! Não deveríamos discutir isto diante de tantas conquistas seja em posições hierárquicas seja em ganhos salariais, temos vários e vários exemplos de mulheres bem-sucedidas, a diferença salarial entre homens e mulheres vem diminuindo, etc, etc”.

Realmente a situação da mulher no mercado de trabalho está aparentemente ganhando novos contornos, menos desigualdade e, quem sabe, estamos a um passo do fim de anos de injustiças praticadas pelo mercado de trabalho. Afinal, as mulheres estudam mais, são mais dedicadas, disciplinadas e outras características bem femininas muito bem aceitas pelas empresas e o sistema econômico de uma maneira geral.

Mas, mas...seja franca (o), quem não sente um quê de estranhamento/ confusão/incerteza de como deve lidar com as mulheres “poderosas”, “independentes” ou que tenham algum traço mais “masculino”. Ou mesmo quem não procura por uma característica mais viril que justifique aquela posição ocupada? Por não falar nos casos que muitos fazem uma investigação minuciosa e atenta da mulher para inferir algo que explique o poder e a competência...

O que eu quero conversar com você neste texto é sobre a posição secundária ocupada pelas mulheres no mercado de trabalho. Então vamos lá para mais um bate-papo.

Antes de mais nada, esta concepção da posição secundária da mulher no mercado de trabalho e neste caso, de desvalorização das atividades exercidas por ela, é sustentada pelo conceito de família nuclear. Dentro deste modelo familiar, o homem tem a obrigação/dever de ser o principal/único provedor enquanto cabe a mulher ser a principal e exclusiva responsável pelas atividades da esfera privada. 




Assim, diante deste dever com as atividades domiciliares, a entrada do mercado de trabalho acaba se configurando como algo secundário enquanto projeto de vida ou mesmo de identidade.

E aí você pode ter inúmeros questionamentos: mas esta realidade ainda existe hoje? Muitas mulheres estão priorizando suas atividades profissionais não é mesmo? Concordo. Mas várias destas mulheres são pressionadas, bombardeadas, ou nos casos mais amenos, questionadas de forma mais suave sobre suas intenções sobre: casar, constituir família, ter filhos, enfim, será que ela não vai sentir falta ou sofrer por não ocupar esta posição tão natural da vida da mulher??

Assim não é de estranhar que algumas formas de inserção das mulheres sejam muito visíveis na trajetória profissional das mulheres: a primeira é exercer atividades que representem uma renda pessoal ou familiar que constitua fonte secundária ou dispensável para sustento da família. Uma outra expressão desta realidade são as trajetórias sem estabilidade e repleta de interrupções em que sua saída ou entrada seria determinada por questões familiares.

Outro produto desta posição social ocupada pela mulher principalmente no imaginário empresarial é que a presença da mulher em um dado posto de trabalho representa altos custos indiretos (uma possível licença-maternidade), um provável comportamento profissional inadequado devido a faltas ou atrasos por motivos familiares e um baixo comprometimento com a empresa.




Assim, fica muito fácil excluir as mulheres das posições que requeiram um maior comprometimento com a empresa, maiores remunerações e, até mesmo, atividades com um maior nível de complexidade e prestígio para a empresa e entre os seus pares. E assim, fica muito fácil para as empresas justificarem os baixos salários e as características dos postos de trabalho normalmente ocupado pelas mulheres.

Diante deste discurso embasado por este conceito tradicional de família bem como pela lógica empresarial, as mulheres se sentem eternamente inadequadas e/ou limitadas dentro do mercado de trabalho.

Pela lógica empresarial, esta força de trabalho é problemática, pouca adequada ou diferente diante de um modelo trabalho masculino que possuem características de dedicação integral, agressividade, disciplina, virilidade e disponibilidade física e psicológica para as demandas e pressões empresariais.

Pelo conceito familiar, as atividades exercidas pela mulher em um dado contexto são revestidas pelo manto da invisibilidade, pouca importância ou mesmo dispensabilidade das tarefas exercidas por ela. Assim, a posição natural, mas desvalorizada ocupada pela mulher no espaço privado é transferido, de alguma forma, para o seu espaço profissional.

Diante de tudo o que estou dizendo, podemos perceber quais dificuldades estas mulheres bem-sucedidas enfrentam até hoje. Não é de estranhar que existam aquelas cuja vida pessoal não é prioridade pois, elas precisam provar e até defender a sua posição. Afinal, este não é seu lugar e qualquer deslize, sua competência profissional é posta em xeque.



 Além disso, ainda existem os casos em que algumas fazem uso de favores sexuais para angariar aumentos, posições e outros benefícios dentro da empresa. Dentro deste contexto, também está bem implícito que o lugar da mulher não é no mercado de trabalho.

A situação descrita acima é sentida na pele por muitas trabalhadoras que não ocupam posições hierárquicas. Ela se traduz no assédio moral, no assédio sexual, no investimento e dedicação de tempo e energia física ou psicológica para demonstrar que ela é merecedora e competente o suficiente para ocupar aquele posto de trabalho e até, em alguns casos, a necessidade de incorporar valores, digamos, “masculinos” de virilidade, assertividade e demonstração de força e capacidade técnica para estar naquela função principalmente nas atividades tipicamente masculinas.

Então, meus caros leitores, a aparente realidade de mudança e fim das desigualdades entre homens e mulheres camuflam muitos não-ditos, sofrimentos, imposições e até sofrimentos psíquicos para muitas mulheres no mercado de trabalho que, no fundo, sustenta, patrocina e se beneficia, de alguma maneira, desta posição secundária ocupada pela mulher no mercado de trabalho.

Se você quer contribuir com este texto, tira dúvidas ou tem alguma sugestão de texto, fiquem à vontade.

Grande Abraço! Fiquem em paz!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

17 novembro, 2016

Mulheres, o lar e as empregadas: uma relação marcada pelo machismo.

Olá cara leitora e caro leitor! Hoje venho falar com você sobre algo que me chama bastante atenção nas classes mais abastadas da nossa sociedade: a presença maciça de babás e empregadas domésticas nestas famílias principalmente quando há crianças. 

E aí disparo uma série de questionamentos: por que muitas destas famílias necessitam de empregadas e babás? O que realmente acontece dentro daquela família que os serviços de casa e/ou os cuidados com os filhos não podem ser exercidos pelos adultos daquela família? Para ser mais específica na questão: que pilares conservadores, machistas e até racistas este quadro descrito sustenta? Vem comigo por que tenho muita coisa para te contar sobre este assunto.

Para começo de conversa, saibam que as empregadas domésticas, babás e outras mulheres que prestam serviços domésticos são um dos pilares que alicerçam o machismo no lar. Isto porque, dentro da lógica machista, as mulheres têm o dever, a obrigação e, quem sabe, até o dom natural de servir os homens. 




Graças a elas, os homens têm à sua disposição uma mulher, normalmente pobre, negra e, em muitos casos, menores de idade, para atendê-los de maneira permanente e a qualquer momento. Mas espere: onde estão as mães, esposas e companheiras dentro desta lógica machista no lar?

Aí é que entra a questão!!!Aquelas mulheres, sejam mães ou não, que adentraram ao mercado de trabalho ainda não conseguiram ( espero sinceramente que um dia consiga) se livrar da responsabilidade total e irrestrita do cuidado relacionado à casa: limpeza, organização, preparo das refeições e por aí vai. 

Como sabemos que esta mulher é consumida por uma grande sobrecarga de trabalho e/ou uma alta jornada do mesmo seja para conseguir ter a mesma remuneração do seu colega de trabalho, seja para provar e demonstrar que têm competência suficiente, os dois ou qualquer outra desigualdade de gênero no trabalho que ela precisa superar, então, será de suma importância ter uma empregada e/ou babá em casa para atender o senhor machista em casa.

Será de inteira responsabilidade e obrigação da mulher administrar, atribuir e fiscalizar as atividades exercidas pelas babás, empregadas e qualquer outra pessoa que venha prestar serviços do lar. Nesta lógica, caberá somente ao homem realizar o pagamento. Ele não quer se envolver muito nestas questões de mulher!!!

Mas você pode perguntar: vejo uma quantidade cada vez maior de homens que AJUDAM suas mulheres em casa? Será que este cenário não está mudando? Bom, vou desconstruir alguns pontos: AJUDAR não é sinônimo de igualdade de condições na divisão de tarefas seja em sua complexidade e/ou quantidade ( ou não diga se esta AJUDA não é uma das tarefas a seguir: colocar o lixo na calçada, colocar águas nas plantas ou realizar poucas e pequenas tarefas em casa).

Outra pergunta: quem disse que a mulher está a passos cada vez mais largos de alcançar esta igualdade de condições enquanto isto for classificado como AJUDA??Lembremos que ajuda, por si só, é algo que você faz sem OBRIGAÇÃO e quando QUISER. 

Por aí já dá para tirar algumas conclusões tais como certa essencialização e naturalização destes dons femininos não é mesmo?Infelizmente nada mudou muito da época das nossos vovozinhas até hoje. Os discursos ficaram mais bonitinhos para cobrir ou amenizar algo que toda mulher trabalhadora sente!



Mas voltando para a linha principal do texto. Agora você pode perguntar: e aquelas mulheres que não trabalham mas têm um exército de funcionários ao seu dispor? Vamos lá: antes mais nada, quero deixar algo bem claro aqui: todas as mulheres, sejam aquelas que estão no mercado de trabalho ou não, merecem ser RESPEITADAS. 

Devemos combater firmemente todo e qualquer tipo de discriminação contra as donas de casa independente da classe social que ela pertença. Tenhamos sororidade! Sou totalmente contra qualquer alcunha de dondoca, burguesa, riquinha, nada-faz ou outros adjetivos que tentam impor para estas mulheres pois, estaremos fortalecendo um discurso de produtividade do capitalismo que trata como escória humana quem está fora do seu jogo e ,principalmente, do machismo que desvaloriza permamentemente esta posição ocupada por algumas mulheres.

De qualquer forma, teremos uma mulher que coordena um exército grande ou pequeno de pessoas para que tudo esteja em ordem, limpo e à disposição do grande senhor. E isto não se resume somente a casa. Ela também deve estar em ordem, em forma, linda e à disposição do homem da casa. Já deu para perceber que as coisas não são tão, digamos, fáceis para esta mulher?




 Claro que ela vai desfrutar das benesses e privilégios de acesso a bens e serviços que suas empregadas, muito possivelmente, não vão desfrutar em suas vidas. Mas, meu caro leitor e cara leitora, tudo isto tem um preço! Para que o cenário traçado acima fique mais claro e emblemático, mesmo que seja de algo mais extremo, vamos lembrar da violência doméstica que uma famosa atriz sofreu este ano pelo seu marido bilionário. Lembram?

O que eu estou tentando passar para você é que a condição de ser mulher, independente da sua condição econômica, vai impor uma série de limitações, barganhas, desvalorizações e outros sofrimentos objetivos e subjetivos. Cada uma de sua maneira. Evidentemente que ser mulher, pobre e negra potencializa todo tipo de desigualdade!!

Para finalizar o texto, vou jogar mais farinha neste angu: acredito que você já ouviu reclamações, chateações e queixas destas mulheres de classe média ou abastadas a respeito de suas empregadas ou babás não é mesmo??O que acontece?Muita calma nesta hora. 

De um lado, temos mulheres que exercem com o máximo de esmero as questões de limpeza, ordem e  disciplina no cuidado de casa. Para muitas, a casa é uma extensão da sua personalidade, moral e até respeitabilidade perante familiares e outros círculos que pertençam. Assim, ter a casa limpa e organizada é como um certificado de mulher cuidadosa e respeitada. 

Por sua vez, temos mulheres pobres e negras que não são percebidas por este sistema “belo, em ordem e do lar” como representativas disto pelas mulheres que a contratam não é mesmo? Então, por mais que elas realizem seus serviços com cuidado e asseio, muitas de suas patroas não vão estar satisfeitas com o que elas fizeram. Sempre faltam algo!

Mas, mas.. estas mesmas empregadas estão mergulhadas na mesma lógica machista do lar daquelas patroas. Assim, a palavra do grande senhor daquele lar terá mais autoridade que a sua patroa. Então não é nenhuma reclamação sem fundamento quando algumas destas mulheres falam que suas empregadas respeitam mais os seus maridos. 

Só que entenda algo: não é por maldade ou malícia como muitas destas mulheres alegam. Simplesmente quem deve ser respeitado e até temido é o homem naquela casa. Por isso que este cabo de guerra acontece!

Então o resumo da ópera é: ter a disposição pessoas direcionadas para o realização de atividades domésticas só alicerça cada vez mais costumes e valores machistas. Então vamos desempregar milhares de empregadas e babás com carteira assinada caso isso acabe não é mesmo?

 Bom a análise não é bem imediata. Vamos voltar atrás um pouco: o que é faz com que estas mulheres pobres procurem este tipo de trabalho? É falta de escolaridade suficiente para ser candidata a outra atividade não é mesmo? Além disso, é bom recordar que o nosso mercado de trabalho é mui amigo(para não falar o contrário) na seleção e contratação de mulheres pobres, com filhos e negras não é mesmo?

Este texto foi mais longo que os demais mas sempre com o mesmo propósito: desconstruir, desnaturalizar e ser um gota no oceano na busca de uma vida mais justa e menos violenta para todas as mulheres!

Fiquem em paz! Até a próxima!


10 novembro, 2016

Por que muitas mulheres sentem que estão falando com a parede ao conversar com os seus parceiros?Sobre isto e muito mais!

Olá!!. Minhas caras leitoras e caros leitores, quem nunca conheceu uma mulher que, ao ser convidada para algum evento formal ou informal, disparou a seguinte frase: “Não posso sair à noite porque meu marido não gosta que eu chegue tarde.

Ou mesmo uma conhecida ou você mesmo (quem sabe!), tenta expor sua insatisfação sobre determinado assunto para o seu parceiro e ele, por sua vez, fala bonito, pede desculpas, diz que vai mudar e continua do mesmo jeitinho! Ou ainda uma versão pior: “o homem Gabriela”: eu nasci assim, cresci assim e vou ser sempre assim. Se você não está satisfeita, você tem que mudar.

Todo este contexto fictício com um bocado de realidade é comandado por algo que é praticado tanto por homens como por mulheres: o machismo. É sobre isto que venho conversar com você. Então, venha comigo em mais uma jornada recheada de veracidade e com pitadinhas de polêmica.

No jogo machista, a dupla moral é a bola da vez. Ela se expressa quando as regras do jogo são diferentes para meninos e meninas e ela atinge quase todas as áreas da vida. Assim, surgem normas distintas que se expressam na proibição às mulheres de determinadas condutas que são perfeitamente acessíveis aos homens. Ou mesmo, considerar que homens e mulheres têm aptidões diferentes.



Uma das versões mais conhecidas é o poder de proibição naturalmente atribuída ao homem. Algumas mulheres acreditam que estas proibições são provas de amor e cuidado. Mas, na realidade, trata-se de um ato de exercício do autoritarismo masculino. A situação inversa é quase impossível de acontecer.

As mulheres não conseguem impor a sua vontade. Para que elas consigam algo, muitas precisam pedir, utilizar de subterfúgios e outras maneiras mais brandas para dobrar o machista de plantão. Quando elas tentam fazer algo que contrarie a autoridade masculina, no mínimo, serão castigadas como crianças.

Digamos que este é a versão mais light pois, sabemos que muitos homens fazem uso do poder de proibir para agredir sua parceira de forma física ou psicológica.

Uma outra versão dos discursos duplos do machismo é a falsa negociação. Ela ocorre quando o homem aparenta (somente isso: aparenta) estar disposto a falar, negociar e realizar concessões, mas, no fundo, ela não tem intenção de mudar um centímetro.



Digamos que este é o machista camuflado. Como ser intransigente não é muito bem visto, então, é interessante aparentar uma atitude flexível, democrática e conciliadora. E a moral dupla aparece da seguinte maneira: ela quer negociar, por necessidade, ele, para manter as aparências de flexível e democrática.

Outro tipo de falsa negociação é quando os homens aquele pronunciamento clássico à la Gabriela: “É que eu sou assim”. Nestes discursos, fica implícito que ele até aceita conversar, mas tudo passa de uma negociação falsa. Ele não quer mudar nada em si ou mesmo fazer concessões.

Normalmente ele diz que o problema é da parceira e quem precisa mudar é ela para que possa conviver com o “senhor gabrielês”. E dentro desta situação, a mulher ocupa uma posição desfavorável e frágil porque ela pensa estar em um verdadeiro diálogo, faz uso de todos os esforços para defender sua posição e chegar em um consenso. Mas, na realidade, ela está falando com a parede literalmente!

Um outro discurso ou prática muito conhecido do mundo machista é a dispensa completa e irrestrita para o homem de pedir desculpas. Umas piores prerrogativas do machista de plantão na vida pública e privada é a sua incapacidade de reconhecer seus erros e limitações e com isso, pedir perdão/desculpas a quem quer seja.

 Pedir desculpas é sinônimo de ser imperfeito. Para quem detém o poder na relação de forma autoritária e não-consensual, como no machismo, ser imperfeito é expressamente proibido. Tal regra também pode ser encontrada quando muitos homens recusam qualquer crítica.

 E deste ponto em diante, as consequências são inúmeras: como seres infalíveis em casa, nunca escutarão sequer o que as mulheres falam; se ele é ser um acima de tudo e de todos então: ele nunca mente; os mentirosos são os outros. Ele nunca erra; quem erra são os outros. Ele sabe absolutamente tudo sobre qualquer assunto; os estúpidos são os outros.



Eu sou rei rodeado de tolos e, principalmente, de tolas. Triste e patética realidade que o machismo nos presenteia!

Estou chegando ao final do texto deixando um esclarecimento que o machismo não é algo de uso único e irrestrito dos homens. Ele atinge a todos e todas! Quantas mulheres não insistem em incutir o poder autoritário e inflexível em seus filhos e a docilidade e submissão em suas filhas? Que fachada mais representativa sobre o disciplinamento do corpo feminino e a perpetuação da dupla moral machista do que a chamada Escola de Princesas, empreendimento comandado por mulheres?

O que eu quero dizer é que não estou lançando uma bandeira de combate contra os homens. Muito pelo contrário. Eles sofrem de outras maneiras esta imposição do discurso machista. Precisamos andar lado a lado e de mãos dadas. Se não for assim, nem homens nem mulheres chegarão a lugar algum!

Fique em paz!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


01 novembro, 2016

Quando o trabalho se torna um martírio: vivendo a tortura do assédio

Maria era funcionária da empresa X e lá desenvolvia inúmeras atividades que iam desde servir ao cafezinho até realizar tarefas que extrapolavam a suas competências e habilidades. Não era incomum que, ao servir o cafezinho durante as reuniões, seu chefe realizasse comentários, no mínimo, constrangedores sobre a sua roupa ou a maneira como se comportava.

Além desta situação, outros colegas teciam comentários desagradáveis e de duplo sentido sobre as tarefas realizadas por Maria. E este não foi um episódio isolado. As piadinhas, os gestos, as intimidações e os constrangimentos se tornaram frequentes e aumentaram tanto em relação a intensidade como no tom e desqualificação.

E assim, aos poucos, Maria percebeu que não se animava para ir ao trabalho, tornou-se irritadiça e procurou se isolar dos demais colegas do trabalho. Muitos não entendiam o que estava acontecendo com Maria. Eis que ela é diagnosticada com depressão e necessita tirar licença para tratamento de saúde. E assim fica a questão: o que aconteceu com Maria??

Esta é uma história fictícia, mas que, possivelmente ao ler, você pode encontrar elementos que remetem a situações de pessoas conhecidas. Mas afinal o que é necessariamente o assédio?

 Para estudiosa do assunto Marie-France Hirigoyen o assédio é caracterizado por toda e qualquer conduta abusiva manifestada através de comportamentos, palavras, atos, gestos e escritos que causem prejuízos à personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica ou física da pessoa colocando em perigo o seu emprego e trazendo danos para o ambiente de trabalho.

O que sustenta esta prática é o abuso de poder. Ele se inicia como algo inofensivo, mas suas proporções se expandem com o passar do tempo. É algo desumano, assustador, sem emoções e piedade. E sua gravidade se acentua caso alguém de fora de contexto não realize intervenções de forma imediata



                                                Nem sabemos como reagir a isso não é mesmo?

Ele se instala quando a vítima reage a um comentário, atitude autoritária ou qualquer forma de subjamento. De acordo com pesquisa, as mulheres são as maiores vítimas de assédio no ambiente do trabalho sendo que o assédio sexual é de longe o mais frequente.

Para que você tenha clareza sobre esta situação, cito aqui algumas situações típicas de assédio:

1.      Estabelecer orientações sem precisão e clareza ao trabalhador;
2.      Atribuir erros inexistentes ao trabalhador;
3.      Solicitar trabalhos urgentes sem necessidade;
4.      Sobrecarga de tarefas
5.      Ignorar o trabalhador na frente de outras colegas (a sensação de que você é invisível)
6.      Faz críticas ou brincadeiras de mau gosto direcionadas a você em público
7.      Faz circular comentários maldosos ou desqualificadores
8.      Isolar o trabalhador
9.      Realiza outras práticas que força o trabalhador a pedir demissão ou solicitar mudança de setor
10.  Controle da frequência e utilização de banheiros
11.  Contestação sistemática e frequente de suas decisões
12.  Privá-la de acesso aos instrumentos de trabalho
13.  Interferir no planejamento familiar das mulheres impedindo que elas engravidem
14.  Desconsiderar problemas de saúde ou recomendações médicas na distribuição de tarefas

Estas são as principais, mas, infelizmente, existem inúmeras outras práticas de assédio. E a lógica empresarial e capitalista que prima pela produtividade e o lucro cria um terreno e fértil para este tipo de prática.

Para que você tenha uma ideia, digamos que o perfil das vítimas é escolhido a dedo pelo assediador: pessoas perfeccionistas, escrupulosas e honestas que realizam suas atividades a contento; são mulheres grávidas ou com filhos pequenos; são pessoas que, devido a algum problema de saúde ou limitação física, não pode realizar todas as atividades; são trabalhadores que se encontram em contrato de trabalho precário e/ou facilmente sujeito a desligamento; mulheres em atividades ou trabalhos “masculinos” ou aqueles que, de alguma forma, divergem dos presentes naquele ambiente.



Se observar bem o que foi dito agora, as mulheres são os alvos principais por que, para o mercado de trabalho e a lógica capitalista, a força de trabalho feminina é barata e facilmente descartada.

Além disso, elas engravidam, precisam cuidar de filhos, pode faltar ao trabalho quando os filhos adoecem... assim, a conciliação entre trabalho produtivo e reprodutivo constitui uma massacre/tortura para muitas. Pena que algumas adotam e aceitam a figura de supermulher que faz tudo. Sabemos que o custo disto é muito alto não é mesmo?

Voltando a questão do assédio, as consequências para homens e mulheres são: depressão, angústia, estresse, falta de interesse pelo trabalho, irritação, sentimentos de culpa, insônia, alterações de sono e apetite, crises de choro, mal-estar físico e psíquico, isolamento, tristeza, diminuição da capacidade de concentração, uso de drogas, dentre outras.



Mas você que está lendo pode perguntar: é extremamente difícil e complicado fazer qualquer tipo de denúncia ou enfrentamento. O que faço? Quem vai se importa com isso??


Normalmente esta situação é muito comum por que o clima, a estrutura organizacional, a relação dentro do ambiente do trabalho, a conivência do seu superior ou outras formas de conchave instalam o medo e silêncio diante do que está acontecendo. Além disto, muitas vítimas costumam ser estigmatizadas e assim, elas passam a ser culpadas pelo ocorrido.


De qualquer forma, deixo aqui para você algumas orientações úteis: anote todos os detalhes das ocorrências de assédio (local, pessoas envolvidas, dia, horário, presença de testemunhas, dentre outras), evite conversar com o agressor sem testemunhas, busque apoio de familiares e amigos e caso você queira realizar a denúncia, identifique os órgãos com ação punitiva/coibidora efetiva dentro da empresa. Externamente, procure o Ministério Público do trabalho, sindicatos e secretarias do trabalho.

Caso o contexto ou outros fatores impeçam realizar algum tipo de atitude, trago uma questão para você: até onde vale a pena continuar neste trabalho? Você consegue realizar algum planejamento para seu desligamento? O que te impede?

Realize uma análise da sua situação econômica, social e familiar e trace alternativas. Você não merece o que está acontecendo! Sua vida vale muito mais que isso!!conte comigo! Estou à disposição!

Grande Abraço!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460
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