Dezembro 2016

30 dezembro, 2016

Uma carta para você em 2017 e...outra para 2016 (também)!

Olá leitores! Hoje o texto é bem diferente! Vamos falar de final de ano?

Hoje é 30 de dezembro de 2016. Mais um dia, mais um mês, mais um ano que passa e mais uma vez estamos no clima de espera por um ano melhor…Mas me diga uma coisa: quem era você no ano passado e quem é você hoje? O que mudou? Quais lições você aprendeu neste ano que se encerra? O que você ainda tenta entender? Quais emoções que você mais sentiu?

Faço esta série de questionamentos para que você se perceba que nada será novo se a mudança também não for interna. Não estou querendo dizer que as mudanças na vida são oriundas estritamente da sua força de vontade ou decisão. Existem uma quantidade de fatores externos que podem dificultar e até impedir algumas realizações em sua vida. Mas se você pretende ter um 2017 melhor e novo, mesmo com todos os obstáculos de caráter externo, quem vai construir é você.



Sei que pode até parecer clichê o que estou escrevendo até aqui. No entanto, a passagem de 31 de dezembro de 2016 para 01 de janeiro de 2017 será mais uma virada no calendário e sua vida vai continuar do mesmo jeitinho, principalmente aquilo que te incomoda, se você não tiver o carinho e o cuidado consigo.

Não é um simples narcisismo, egoísmo, vaidade.. está mais vinculado a um crescimento pessoal e emocional. E será isto que fará com que cada ano você tenha uma vida melhor e mais renovada.
Eu escrevi todo este blá-blá-blá para propor um exercício muito simples e prático que vai precisar somente de um lápis e  duas folhas de papel. “Já sei você vai pedir para que façamos nosso planejamento anual, de metas...”Não é bem isso!

Vou pedir para que você escreva uma carta para esta Maria, José, Ana....que você foi em 2016 e escreva outra para esta Maria, José, Ana.. que você nem sabe que será em 2017.

Mas antes de mais nada, faça isto de forma presente, ou seja, olhe e sinta seu momento atual. Veja o que você aprendeu, que esta pessoa de 2016 te trouxe de bonito e imaterial para sua vida, quem entrou e quem saiu da sua vida, enfim, tudo aquilo que te trouxe uma reflexão ou quem sabe um novo propósito de vida.



Com isso, o que eu quero propor para esta carta para você em 2016 não é uma carta de cobrança, lamúrias, chateações...Você não é nenhum SERASA não é mesmo? Sugiro que você olhe para aquilo que “não deu certo” com uma nova perspectiva. Quem sabe agora, você não perceba o que aquele fato/pessoa quis te trazer como forma de crescimento pessoal para você.

Esta carta é um meio de te mostrar de maneira concreta quem foi esta pessoa em 2016 e até fechar o que “ficou pendente” no ano está chegando ao fim. E se possível, guarde e deixe esta parte da história da sua vida registrada em um papel. Quem sabe um dia, você pode rir ou ter uma surpresa ao reler esta carta.

Depois de feita a carta para você em 2016, agora chegou a vez de escrever para você em 2017.Para que você sinta o propósito desta atividade, escreva para você em 2017 como se fosse para uma nova pessoa que você gostaria de conhecer em 2017. Aconselho que ela não seja a perfeição.




Mas seja aquela que você gostaria de ter ao lado nos momentos difíceis, para comemorar as conquistas, para te abraçar e, principalmente, que ame você do jeitinho que você é.

Entendeu agora a brincadeira não é mesmo? Esta carta para 2017 precisa conter um kit de ferramentas composto por autoestima, perdão, menos cobrança e mais respeito por si mesmo. E as outras pessoas como ficam nesta carta? Pessoas? Elas são importantes em nossas vidas e até podem estar nesta carta. Mas não esqueça que o principal destinatário desta carta é você mesmo!

Então, depois de feita a carta, peço com você guarde com muito carinho. Se quiser pode deixá-la em um local de fácil alcance para reler quando quiser. Mas o principal será realizar esta leitura nesta mesma data em 2017. E quando lê o que você escreveu não faça com um olhar de autocrítica e cobranças. Mas com um senso de respeito e perdão por aquilo que você não conseguiu ser e com um senso de profunda gratidão por aquilo que você conseguiu.

Quem sabe se você não fizer isto todos os anos, você perceberá as repetições, as mudanças, as pessoas, enfim, a dança da vida e a música que você permite entrar em sua existência.

Por fim, desejo que você seja vida em movimento, que sinta, admire, respire e inspire, contemple, sorria, chore, agregue e viva o que tiver de ser vivido! Feliz 2017!
Até mais!

Karine David Andrade Santos

Psicóloga CRP-19/2460

16 dezembro, 2016

Como posso reagir a violência em um relacionamento?

Olá leitor! Tenho falado muito sobre violência, as condições sociais e econômicas que muitas mulheres enfrentam em seu cotidiano, feminicídio..., mas uma pergunta paira no ar: o que cada mulher pode fazer para enfrentar estas questões? Será que não existem alternativas que possam sobrepor esta realidade tão triste?

Ah tem sim! Fica comigo que vou esmiuçar alguns pontos que toda mulher precisa ter consigo seja dentro de um relacionamento amoroso ou em qualquer outra área da sua vida.




Em um livro denominado “ Como enfrentar à violência verbal” de autoria de Patrícia Evans, podemos encontrar uma lista que constituem os direitos básicos de qualquer relacionamento:

1.      O direito à aceitação por parte do outro
2.      O direito ao apoio emocional
3.      O direito de ser ouvida pelo outro e de ser correspondida com educação
4.      O direito de ter a sua própria opinião, mesmo que a do seu companheiro seja diferente
5.      O direito de ter sua experiência e seus sentimentos reconhecidos como verdadeiros
6.      O direito de receber o pedido de desculpas em virtude de quaisquer brincadeiras ofensivas
7.      O direito de viver livre de acusações e culpas
8.      O direito de viver livre de críticas e julgamentos
9.      O direito de ser encorajada
1.  O direito a viver livre de ameaças emocionais e físicas
1.  O direito de viver livre de acessos de raiva e fúria
1.  O direito de não ser xingada nem desvalorizada
1.  O direito de ser respeitosamente consultada e de não receber ordens

Você não tem o dever de aceitar o comportamento abusivo de alguém. Eu sei que posso estar pontuando algo que possa ser uma realidade distante para muitas mulheres. Mas se você consegue enxergar que seu relacionamento não é saudável de alguma forma, parabéns! Você já deu o primeiro passo!

Coloca aqui uma lista de direitos para quem a autoestima está sendo golpeada, pode ser colocar o carro na frente dos bois. Mas para falar a verdade, esta lista serve para te alertar sobre uma série de prerrogativas que são suas sim, mas que, de alguma maneira, eles foram sendo surrupiados pelos abusos de uma relação violenta.

Sei que, normalmente, as vítimas de relacionamentos abusivos carregam a culpa/responsabilização pela maneira como a relação se encontra. E isto é natural por que o desenrolar deste tipo de relacionamento é caracterizada pela internalização da culpa.




 Livra-se dela não vai ser um processo rápido. No entanto, quando você já enxerga a situação, possivelmente, sua próxima intenção será estabelecer limites. Neste momento, você vai acreditar de forma segura e confiável em suas percepções e sentimentos. Recuperar a confiança em suas emoções é fundamental. Você vai estar se apropriando de algo que você alienou para o parceiro.

Outro ponto a ser destacado é que você vai perceber que a pessoa não está agindo de maneira adulta e racional. Isso mesmo: o agressor está sendo infantil. Então, para que ele entenda sua insatisfação com este tipo de abuso, é necessário que você reaja como adulta que você é! 

Assim, fale num tom de autoridade e firmeza demonstrando sua seriedade na fala e que não vai aceitar mais o abuso.

Outra reação é se distanciar do agressor para que ele entenda o quanto ele está sendo imaturo. Pode ser que você pense: eu provoquei isto! Aconteceu tal ou qual coisa por que eu...! Perceba, antes de mais nada, que não é saudável viver em um relacionamento abusivo. Além disso, os sucessivos abusos trazem consequências nefastas para a sua vida.

Reagindo, você terá controle sua própria vida, poderá decidir por conta própria o que é melhor para si, perceberá que pode fazer mudanças em sua vida, que vale a pena se dedicar para uma vida mais segura, feliz e mais criativa. E acima de tudo que você é um ser humano valioso que merece respeito de qualquer pessoa.


No processo, você até poderá sentir tristeza pela perda de algo que pode ser até da relação em alguns casos mas vai descobrir habilidades e novos horizontes sobre si mesma que estavam esquecidos ou eram até mesmo desconhecidos.

Então, o recado que gostaria de deixar neste texto é que você é capaz de dar a volta por cima. Caso seja muito difícil fazer isso sozinha, procure ajuda. Erguer uma nova etapa da nossa vida requer ajuda para colocar tijolinho por tijolinho. 

A massa pode ser feita por amigos mas se o esforço for grande para você e seus amigos, também procure ajuda de um psicólogo. Ele tem a habilidade técnica mais indicada para deixar esta massa mais forte!


Se você tem sugestões ou críticas, por favor, deixe aqui nos comentários! Estou à disposição!

02 dezembro, 2016

Por que você permanece nesta relação?

Você já se questionou por que muitas mulheres, e homens também, permanecem em relacionamentos que desvalorizam ou mesmo causam prejuízos a sua saúde física e psicológica?

A relação não é necessariamente violenta, mas a troca naquele relacionamento é permeada pelo desenvolvimento de um em detrimento do outro. Um dos membros da relação abdica dos seus sonhos, de sua maneira de ser, do seu círculo familiar, de amigos e profissionais para se dedicar inteiramente aquele relacionamento.

A situação se torna mais grave quando o outro faz uso das renúncias da outra pessoa para exercer o domínio, o controle e a posse dentro daquele relacionamento. Deste ponto para a prática da violência é um simples passo.

Enfim, sendo ou não violenta, por que algumas mulheres fazem inúmeras renúncias, calam-se diante das situações que magoam ou mesmo mudar completamente a sua maneira de ser para agradar ou manter um relacionamento?

11.  A dominação masculina

É ela que constitui os domínios simbólicos sobre a mulher. Isto é representado pelo permanente estado de insegurança física ou psicológica. O seu corpo e a sua maneira de ser devem obedecer e ser receptivo aos ditames do outro. E assim, elas têm a obrigação de serem magras e/ou em forma para ser um objeto receptivo e atraente para o olhar deste outro. 

Também se espera que elas sejam femininas, ou seja, sorridentes, simpáticas, discretas, submissas, contidas e, se possível, invisíveis.


22.A ansiedade diante do olhar do outro

É este olhar que submete, recrimina, causa cerceamento, julga e aprisiona a mulher. A mulher se antecipa aos julgamentos alheios através da contenção e disciplinamento do próprio comportamento para que não sejam alvos do escrutínio público. Para isso, a educação das meninas apresente como uma das características o desenvolvimento de certa preocupação com o outro seja no sentido de cuidar seja para estar atento aos sentimentos e, principalmente, aquilo que desagrada o outro.

Mas o que isto tem a ver com os relacionamentos amorosos? Tem um bocado. Antes de mais nada, ela vai procurar ser a mais feminina possível para ser atraente, receptiva e bem-vista para o parceiro. E isto não fica restrito a esta esfera. Digamos que o julgamento das outras pessoas sobre suas qualidades enquanto mulher/ esposa/namorada/... compõe praticamente uma extensão da personalidade. E aí já dá para sacar o que vai acontecer não é mesmo? Muitas vão estar atentas ao olhar do seu parceiro e do seu círculo de maneira geral para moldar a sua maneira de ser. Será neste contexto que muitas ficam..por que temem o olhar/julgamento do outro.

3   3.“Eu não sei viver sozinha! ”

Quantas mulheres não passam por isso não é mesmo? Algumas mulheres não suportam/sabem/têm medo/ por outros motivos viver sozinhas. E para isso fazem renúncias, “fecham os olhos para algumas situações, suportam o insuportável...tudo isto para não viver sozinha. E não posso esquecer o relacionamento conto de fadas que povoa o imaginário de muitas mulheres e neste ponto, passam de um ideal de pessoa para uma falsa realidade, isto é, inventam para si que está tudo ok na relação para não enxergar que seu belo príncipe encantado é um sapo.

Além dos motivos citados acima, algumas mulheres não conseguem enxergar a si mesmas por que o simples fato de ter somente a própria companhia é um fardo para algumas. Normalmente, existe algo dentro de si que é muito dolorido ou desconfortável de enfrentar...



       4. ”Eu sou incapaz de manter um relacionamento amoroso! ”

  Pois é! Algumas mulheres fazem malabarismos para ficar em um relacionamento por que acreditam que o término dele seria um atestado de incompetência para elas. Este caso é muito encontrado para aqueles que superestimam o valor de um relacionamento amoroso em suas vidas, ou seja, são mulheres que empreendem toda a sua energia para ter uma pessoa ao seu lado. Isto é a prioridade da sua vida!

E assim para não “admitir o seu suposto fracasso” elas se contorcem para manter uma relação de aparências ou de fachada. A situação se agrava se a sua educação foi aquela tradicional voltada para as meninas.

5  5. "Preciso do amor de alguém para viver!"

Esta é uma variante do “Eu não sei viver sozinha!”. Normalmente são pessoas que não conseguem viver sozinhas também, mas que, principalmente, têm baixa autoestima, não conhecem a si mesmas ou, pior, se odeiam. Assim, precisam que este sentimento seja emanado pelo outro ou mesmo que ele a valorize, dê atenção, promova uma suposta autoconfiança, enfim, preencha o vazio interior desta mulher.




Estou chegando ao final deste bate-papo. Este texto foi direcionado para mulheres. Mas o que foi citado até aqui também pode ser aplicado para os homens em alguns aspectos. E você? Identificou-se com alguma situação? Compartilhe aqui nos comentários.
Caso você tenha alguma sugestão, também deixe aqui nos comentários, ok?

Fiquem em paz!

Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460


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