Fevereiro 2019

17 fevereiro, 2019

Quem são as pessoas que permanecem em relacionamentos abusivos? Sobre empatia,codependência e muito mais


Olá meus queridxs leitores! Tudo bem? Hoje começamos mais uma semana com o nosso já conhecido bate-papo sobre relacionamentos abusivos. E dando sequência ao que foi discutido no texto anterior, falarei hoje, mais uma vez, sobre as características das parceiras e dos parceiros que costumam adentrar e permanecer em um relacionamento abusivo.

Vamos começar pelas pessoas muito empáticas em relações abusivas. Uma das armadilhas para uma pessoa muita empática é a atração pelo sofrimento alheio. E é justamente isso que muitas mulheres ou homens adentram em relacionamentos abusivos uma vez que as pessoas abusivas costumam adotar o papel de vítima das circunstâncias da vida, pois não assumem a responsabilidade pelas suas ações. 

E, com isso, devido a esta capacidade destas pessoas se colocarem no lugar no lugar e, até mesmo, sentir a dor do outro, então, as pessoas muito empáticas são presas fáceis para pessoas abusivas.

E assim, à medida que a relação demonstra sinais de abuso, você se coloca no papel de amar o outro de tal maneira, que isto será o suficiente para curá-lo e minimizar as situações desagradáveis. 



No entanto, este intento será ilusório e não resultará em nenhum benefício para a relação, pois, por mais que você se esforce, seja amável, empática, gentil e ofereça apoio incondicional, nada disso será o suficiente para satisfazer as necessidades do seu par.

Além das pessoas altamente empáticas, as pessoas abusivas costumam escolher pares que evitam conflitos. Afinal, diante das investidas agressivas, nada melhor do que uma pessoa pacífica, que não faça muito barulho e “aceite” a relação tal como ela é. 

Estas pessoas que evitam conflitos, normalmente, não gostam de permanecer em um clima desarmônico na relação e sentem-se desconfortáveis quando alguém fica bravo com elas.

Para identificar algumas pistas desta característica em você, responda aos seguintes questionamentos (extraídos do livro “Relações Destrutivas” de Averyl Neal):
  • Você esconde ou suprime seus sentimentos para evitar conflitos com o parceiro?
  • Você não dá ouvidos aos sentimentos para não ter que encarar problemas?
  • Você sempre tenta adaptar o que dizer ao seu parceiro para obter a melhor resposta possível dele?
  • Você teme a desaprovação dos outros e evita isto a todo custo?
  • Você se abala facilmente ou tem uma reação visceral quando alguém fica bravo com você?
  • Você se culpa quando alguém se mostra contrariado com você?

Além destas características, com o desenrolar do relacionamento abusivo, não é incomum que se desenvolva uma codependência. E o que seria isso? É um estado psicológico e comportamental que se desenvolve como fruto da exposição de uma pessoa a um conjunto de regras opressivas, bem como do seu exercício por longo tempo. 

São regras que criam obstáculos para a expressão aberta de sentimentos e discussão direta de problemas pessoais e interpessoais. Trata-se de uma característica muito comum encontrada em pessoas que se relaciona com alcoólatras e dependentes químicos. Mas que se desenvolve, facilmente, em relacionamentos abusivos.



E por que? Como as regras opressivas são a tônica deste tipo de relação então, você desenvolve estratégias para tentar sobreviver a esta relação da melhor maneira possível. E, assim, entra na codependência ao permitir que o outro determine como você deve se sentir e se comportar. 

Você se perde no outro e não sabe mais quem é quem na relação. Além disso, listo algumas questões que são bem comuns nos estados codependentes:

  • Você deixa de levar em consideração seus desejos e necessidades;
  • Minimizar o comportamento abusivo do seu parceiro;
  • Começa a mentir para proteger as escolhas do seu par;
  • Acredita que não é capaz de cuidar de si mesmo sozinha (o);
  • Sente culpa por sentir raiva;
  • Cria uma expectativa de que o parceiro a preencha completamente;
  • Tem tolerância por comportamentos e atitudes que não toleraria antes.

Observe que são atitudes e comportamentos de pessoas que estão incorporadas ao outro literalmente. E, muitas vezes, não é fácil sair sozinho (a) desta situação. É necessária a ajuda de um profissional especializado. Por isso, busque este apoio e não se deixe para depois!

Se você conhece alguém que está passando por isso, compartilhe este texto! ;)

E por hoje é só! Até a próxima!


Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista, Doutoranda e Mestre em Psicologia (UFS)
Celular:  79 999192385
email:  psimulti@gmail.com
site:  www.eporelas.com.br
endereço:  Praça Tobias Barreto 510 Centro Médico Odontológico Sala 1210



10 fevereiro, 2019

As pessoas excessivamente responsáveis e os relacionamentos abusivos: uma química explosiva!


Olá, meus queridos leitores! Tudo bem? Hoje estou aqui mais uma vez para nossa conversa de sempre sobre os relacionamentos abusivos. Ao longo dos textos anteriores, apontei os comportamentos das pessoas abusivas, as sutilezas, o porquê da punição e muito mais. Por isso, chegou o momento de abordar o perfil das mulheres e homens que adentram e permanecem em um relacionamento abusivo.

Bom, antes de mais nada, é bom lembrar que para a engrenagem de uma relação abusiva funcionar, é necessário que alguém assuma a responsabilidade das coisas “supostamente erradas” da relação. Afinal, as pessoas abusivas costumam não assumir a responsabilidade pelos seus feitos e assim, despejam toda a responsabilidade no outro. E, para isso, nada melhor que uma parceira ou um parceiro excessivamente responsável.

Assim, os abusadores ou abusadoras costumam se sentir atraídas por pessoas com este tipo de perfil. Afinal, a pessoa abusada costuma assumir toda culpa e responsabilidade por qualquer coisa. E não será necessário muito esforço por parte da pessoa abusiva para que ele (ela) construa seus abusos nesta relação, visto que você aceita a responsabilidade por qualquer coisa e isso reforça o poder da pessoa abusiva.

Isto ficará bem claro na maneira como o diálogo entre vocês é desenvolvido, nos cuidados e na atenção com os afazeres cotidianos e em qualquer situação que exija esforço por parte do casal. Assim, não será incomum que a pessoa abusada tenha a sensação de estar levando o relacionamento nas costas, que é sua exclusiva responsabilidade pelo funcionamento adequado do dia-a-dia de vocês e as disfuncionalidades e imprevistos cotidianos do casal também recaem sob sua incumbência.



E, caso ele (ela) te critica, mais você se esforçará a imagem. Mas nada irá satisfazê-lo (la). Chegará um momento que você se sentirá exausta (o) por carregar todas as responsabilidades pois, ninguém vai aliviar sua carga e você sempre terá a sensação de é sua responsabilidade pelo andamento adequado de todo o universo de coisas e situações que permeiam a relação.

Além da própria carga que você carrega, o sentimento de culpa também contribuirá para seu desgaste. Isto por que a pessoa abusiva sabe como você é excessivamente responsável e deste modo, quanto mais ele atribuiu responsabilidade das coisas a você, mais você vai sentir culpada e esta culpa te leva a cada vez mais abraçar fatos, situações e outras coisas que não são de sua incumbência. Neste jogo, a pessoa se isenta da responsabilidade por qualquer coisa, além de saber manipular coisas antigas que te trazem culpa para tirar o foco dele (ela) e do problema real.





E como irei identificar se sou assim em um relacionamento? Bom, para isso, trago uma série de perguntas extraídas do livro Relações Destrutivas de Averyl Neal:

·     Os deveres ou responsabilidades são divididos igualmente, ou você assume a maior parte do trabalho?

·         Você trabalha e, assim, ele não precisa de um emprego?

·         Ele gasta excessivamente com coisas que quer, ao passo que você economiza o máximo possível para o futuro da sua família?

·         Você fica se desculpando, mesmo quando acha que não fez nada errado?

·         Fica compulsivamente se perguntando se alguém está bravo com você e acaba concluindo que teve a culpa seja lá do que for?

·         Você se sente culpada facilmente e com frequência?

·         Você acha que não merece ter experiências ou coisas agradáveis ou que coisas boas lhe aconteçam?

·         Você se sente desconfortável ao receber elogios, atenção, presentes, etc.?

Se você respondeu sim a maior parte das perguntas, então, não se sinta culpada por isso também. Caso perceba que você não consegue lidar com isso sozinha, procure ajuda profissional. E se você, leitor, conhece alguém que esteja vivenciando isto, compartilhe! ;)

Até a próxima!


Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista e Mestre em Psicologia (UFS)
Karine David Andrade Santos
Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista, Mestre e Doutoranda em Psicologia (UFS)
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03 fevereiro, 2019

Você se sente punida em sua relação?


Olá mexs queridos leitores! Tudo bem? E hoje vamos começar mais um bate-papo sobre relacionamentos abusivos, suas particularidades e como o par abusado se sente neste tipo de relação. Por isso, hoje vou conversar com você sobre algo que é facilmente encontrado neste tipo de relação: a punição.

E quando é que ela normalmente será encontrada? Quando o alvo desta relação abusiva, iniciar um movimento de reação. Seja dizendo um não para algo, estabelecer um limite ou esboçar algum tipo de resposta emocional, ele (ela) exercerá a punição. Normalmente, ela acontece por que, como o abusador acredita estar no domínio, acredita que pode fazer o que quiser com o outro, inclusive liberar a raiva. Além disso, este é um alerta de que você não deve confrontá-lo.

A severidade e o alvo da punição serão graduados e manipulados de acordo com a vontade e desejo de vingança do abusador. De maneira geral, a pessoa fará questão de distorcer as coisas e fará com que a culpa sobre qualquer coisa recaia sobre você. 

E caso você não se sinta atingida (o) pelos artifícios punitivos do (a) abusador (a), ele (ela) empenhará esforços em se tornar mais cruel em suas manobras de distorcer, ferir, seja física ou psicologicamente, e os ataques serão direcionados para aspectos fundamentais da sua vida.



Quando há crianças oriundas desta relação, alguns costumam utilizá-las como forma de puni-la. O grau de severidade das punições extenua suas forças físicas e emocionais e com isso, as pessoas abusadas costumam nem relutar ou enfrentar, temendo o tipo de retaliação. Com isso, muitas desistem de suas aspirações, das suas relações e das suas necessidades enquanto ser humano. Assim, aos poucos, a pessoa se torna um passarinho dentro da jaula da própria vida.

Como estas expressões punitivas costumam ser externalizadas? Ela pode ser ativo-agressiva ou passivo-agressiva, sendo verbal, física ou ambas. As pessoas abusivas sabem exatamente qual área da sua vida deve ser punida e qual forma de punição irá te atingir mais. Normalmente, os abusadores (as) não vão admitir que costumam ter intenção.



Uma das formas passivo-agressivas de punição é o silêncio. É uma forma de comunicar de que está contrariado e quanto mais você tenta entender os motivos do silenciamento, mais ele (ela) se fechará. Digamos que esta é forma de te dizer: “ Você não sabe o que faz e não adianta te falar por que você não merece satisfação pois, eu sei o que é melhor para nós dois. ” 

É uma forma indireta de controlar seus sentimentos, comportamentos e movimentos e fazer com que você faça exatamente o que ele (ela) quer: permanecer na prisão criada pela pessoa abusiva à medida que você tenta evitar inúmeras situações que possam desencadear estas e outros tipos de punições.

E então o que pode ser feito? Por mais que você se sinta prisioneiro(a) de uma relação, a chave para sair desta jaula estará sempre dentre de você. A autonomia sobre sua vida não pertence a ninguém. Unicamente sobre a sua vida. Se você perceber que não consegue realizar este resgate de si, procure ajuda de um profissional da psicologia!

Espero que este texto tenha sido útil e, caso conheça alguém que passe por esta situação, compartilhe!;)


Psicóloga CRP-19/2460, Psicodramatista e Mestre em Psicologia (UFS)
Karine David Andrade Santos
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