A travessia de vida de uma mulher

06 março, 2019

A travessia de vida de uma mulher


Olá leitores do meu blog! Tudo bem? Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Uma data alusiva à morte de trabalhadoras devido a uma greve por melhores condições de vida. De lá para cá, muita coisa mudou. No entanto, existe algo que cada mulher, nos seus diferentes cotidianos, enfrenta: o direito de estar viva!

E quando falo em viva, estou me referindo à vida em suas diferentes dimensões. Desde a física até cultural. Quantas  precisam se sujeitar a contextos de micro a macromachistas para angariar o seu pão de cada vida? 

Quantas estão, literalmente, aprisionadas em relacionamentos falidos ( amorosos, amizade, familiares, dentre outros) para sobreviver física e psicologicamente? Quantas não lutam para manter seu legado, sua obra, sua arte, enfim, a sua marca viva? 

Quantas estão sendo engolidas, aos poucos, por atitudes, comportamentos e palavras que sabotam as suas vidas psíquicas? Quantas não precisam se justificar diariamente, ou mesmo são suscitadas a este feito, por não se encaixar em x ou y padrão? 

Por fim, de vocês mulheres que estão lendo este texto,quem não estiver atolada em diferentes papéis, por favor, escreva aqui nos comentários.

É bom lembrar que a vida feminina é posta em xeque desde a infância. E um dos pontos que fortalecem está questão se centra na educação direcionada as meninas. 

A base da educação de uma menina é sempre calcada na aprovação do outro. E, quando seguimos esta premissa, ao longo da educação de uma criança do sexo feminino, estamos, literalmente, entregando a vida desta menina nas mãos do outro. 

E este “outro” vai adotando diferentes facetas no decorrer da vida, se localizam em todos os contextos de interação desta criança e, assim, ela vai assimilar a seguinte mensagem implícita ou explícita: se você quiser se manter viva ( física, psicológica e socialmente), agrade este “outro”.


Assim, esta menina escuta, de maneira sistemática, direta ou indiretamente, os inúmeros “não deve” e “não pode” e com isso, diferentes experiências da vida são eliminadas e restringidas. 

Sua forma de ser, seu espaço, suas palavras e seus sentimentos são talhados pelo cinzel familiar, escolar e social mergulhadas, na maioria das vezes, em contextos dicotômicos e estanques sobre o feminino e masculino. 


Neste sentido, aos poucos, esta menina vai se distanciando cada vez de si e entrega seus pensamentos, seus sentimentos,seu espaço e seu tempo aos mandos e desmandos do cinzel fatídico.

Esta menina cresce, torna-se adolescente, as demandas da vida se tornam mais complexas, no entanto, os cortes deste cinzel não cessam e estão ficando mais profundos. 


Em alguns espaços, não é preciso mexer porque os ensinamentos da infância já estão cravados na vida física e psicológica desta futura mulher. Nesta altura da vida, ela compreende perfeitamente qual é o seu papel em diferentes espaços, mas sua vida já está em contínuo processo de alienação.




Eis que chega a vida adulta. E a clara sensação de sempre estar atendendo as demandas do outro de maneira prioritária fica evidente seja para ela ou para quem está ao lado. Afinal, ela aprendeu que, se quiser permanecer viva, de diferentes maneiras, precisa, primeiro, agradar o outro. 

E, nesta exata questão, que muitas mulheres são mortas seja física, seja psicológica e seja socialmente. Afinal, suas vidas, na realidade, nunca foram suas. 

Elas estão sempre disponíveis para o bel-prazer e caprichos da família, ou do namorado, ou do companheiro, ou do marido, ou do trabalho, ou de qualquer “outro”. Enfim, as mulheres, em nosso contexto cultural, não devem ter autogoverno das suas próprias vidas.


Por isso, neste Dia Internacional das Mulheres, peço que você, leitora, reflita a quem ou ao que você entregou a sua vida. Recupere-a!

É um direito seu! É um movimento rebelde e de intenso significado que salvará não só a sua vida, mas de mulheres. Feliz Dia para um Novo Viver,Mulher!

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